Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,4 bi no 2T26: hora de comprar?
English ภาษาไทย Español 한국어 简体中文 繁體中文 日本語 Tiếng Việt Bahasa Indonesia Монгол ئۇيغۇر تىلى العربية Русский हिन्दी

Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,4 bi no 2T26: hora de comprar?

Publicado em: 2026-08-06   
Atualizado em: 2026-08-06

O Itaú Unibanco encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% em doze meses e o 11º trimestre seguido de crescimento. O ROE ficou em 24,3%, entre os maiores do setor bancário brasileiro. Mesmo assim, o número veio abaixo do que o mercado projetava.

1.png

O balanço, divulgado na terça-feira (04), mostra um banco que segue entregando rentabilidade acima de 24% enquanto mantém a inadimplência estável em 1,9% pelo sexto trimestre seguido. O consenso Bloomberg apontava lucro médio de R$ 12,427 bilhões. O Itaú entregou R$ 12,407 bilhões, uma diferença pequena, mas suficiente para tirar o brilho de um resultado tecnicamente sólido.

Junto com o balanço, o conselho de administração definiu o pagamento de R$ 7,84 bilhões em Juros sobre Capital Próprio para 28 de agosto. A ação ITUB4 opera hoje na casa dos R$ 43,17, acumulando alta de 34% em 12 meses. A pergunta que fica é se o papel ainda tem espaço para valorizar depois desse movimento.

Resultado do Itaú no 2T26: os números que definem o trimestre

Os principais indicadores do balanço confirmam a consistência que o banco vem entregando havia mais de dois anos, com carteira de crédito em expansão, margem financeira mais forte e inadimplência sob controle.

Lucro recorrente
R$ 12,4 bi
+7,8% a/a
ROE anualizado
24,3%
+1 p.p. a/a
Carteira de crédito
R$ 1,52 tri
+9,6% a/a
Inadimplência +90d
1,9%
Estável há 6 trimestres
Margem financeira
R$ 33,5 bi
+5,2% a/a
JCP aprovado
R$ 7,84 bi
Pagamento em 28/08

A carteira de crédito ampliada chegou a R$ 1,52 trilhão ao final de junho, com destaque para o crédito imobiliário, que avançou 13,2% na comparação anual, e para o cartão de crédito, que cresceu 6,6%. As despesas de provisão para devedores duvidosos somaram R$ 10,4 bilhões, alta de 8,4% em doze meses, movimento coerente com a própria expansão da carteira.

Por que o lucro ficou abaixo do consenso, mesmo crescendo 7,8%?

O resultado não decepcionou pela qualidade da carteira, que seguiu estável, e sim pela margem estreita entre o que o banco entregou e o que o mercado já havia precificado. Analistas da XP, Bank of America, Goldman Sachs e JPMorgan projetavam lucro próximo de R$ 12,5 bilhões e ROE entre 24% e 25%, faixa que o Itaú cumpriu no limite inferior.

O ponto de atenção do trimestre foi a receita de prestação de serviços e seguros. O banco revisou a projeção de crescimento dessa linha de uma faixa de 5% a 9% para uma nova faixa de 2% a 5%, citando maior volatilidade no mercado de capitais do que a projetada no início do ano. As demais metas de 2026 foram mantidas sem alteração.

Indicador Guidance anterior Guidance atual
Carteira de crédito total 5,5% a 9,5% Mantido
Carteira de crédito Brasil 6,5% a 10,5% Mantido
Margem financeira com clientes 5% a 9% Mantido
Custo de crédito R$ 38,5 bi a R$ 43,5 bi Mantido
Receita de serviços e seguros 5% a 9% Revisado para 2% a 5%

O que isso significa na prática: o núcleo do negócio (crédito, margem e inadimplência) segue dentro do planejado. A revisão foi pontual, concentrada na linha mais sensível a mercado de capitais e taxas de performance, não no core bancário.

Itaú x concorrentes: como o ROE de 24,3% se compara no setor

O diferencial de rentabilidade do Itaú frente aos pares privados voltou a aparecer nesta temporada de balanços. Enquanto o banco liderado por Milton Maluhy Filho sustentou ROE acima de 24%, Santander Brasil e Banco do Brasil reportaram números mais pressionados nos trimestres mais recentes disponíveis.

Banco Trimestre ROE Observação
Itaú (ITUB4) 2T26 24,3% +1 p.p. a/a, lucro de R$ 12,4 bi
Santander (SANB11) 2T26 12,5% Queda ante 16% no 1T26
Banco do Brasil (BBAS3) 1T26* 7,3% Lucro caiu 53% a/a; sem dado de 2T26 consolidado até a publicação

*Dado do Banco do Brasil refere-se ao 1T26, trimestre mais recente disponível no momento da publicação.

Para traders que acompanham o setor bancário brasileiro e querem operar a volatilidade pós-balanço de papéis como ITUB4, a página de ações CFD da EBC reúne as condições atualizadas para operar o papel.

ROE comparado (2T26)

Itaú (ITUB4) · 2T2624,3%
Santander (SANB11) · 2T2612,5%
Banco do Brasil (BBAS3) · 1T267,3%

JCP de R$ 7,84 bilhões: quem tem direito e quando cai na conta

O montante aprovado combina dois pagamentos de Juros sobre Capital Próprio já anunciados anteriormente, em fevereiro e maio, e será depositado de uma só vez em 28 de agosto de 2026. Os valores são distribuídos igualmente entre ações ordinárias (ITUB3) e preferenciais (ITUB4).

Anúncio Valor total Bruto/ação Líquido/ação Data-com
26/02/2026 R$ 3,85 bi R$ 0,34888 R$ 0,287826 19/03/2026
28/05/2026 R$ 3,99 bi R$ 0,36188 R$ 0,298551 18/06/2026
Total R$ 7,84 bi R$ 0,71076

Quem comprou as ações depois das respectivas datas-com (20/03 e 19/06) não tem direito aos proventos. O valor líquido considera a retenção de 17,5% de Imposto de Renda na fonte, exceto para acionistas pessoa jurídica imunes ou isentos.

Análise técnica ITUB4: zona de referência após o balanço

Com a ação cotada a R$ 43,17 no fechamento de 04/08/2026, o papel opera 34% acima do preço de 12 meses atrás e a cerca de 13% de distância da máxima de 52 semanas, em R$ 49,67. O preço-alvo médio do mercado está em R$ 48,38, segundo consenso compilado pela Investing.com, e a XP mantinha alvo de R$ 51 para o fim de 2026 em sua última atualização anterior ao balanço do 2T26.

Aviso técnico: resultados trimestrais costumam gerar gaps de abertura que distorcem a leitura pura de suporte e resistência no pregão seguinte à divulgação. Os níveis abaixo são zonas de referência estrutural, não uma recomendação de entrada ou saída.

Zonas de referência de ITUB4
Resistência – máxima de 52 semanasR$ 49,67
Alvo XP (pré-2T26)R$ 51,00
Alvo médio de mercadoR$ 48,38
Cotação atual (04/08)R$ 43,17
Suporte estruturalR$ 30,99

Para o trader que acompanha o papel no curto prazo, a leitura é de tendência de alta de médio prazo intacta, mas com o preço já próximo do intervalo em que boa parte dos analistas via valor justo antes do balanço. A confirmação de novos topos depende de o mercado revisar os preços-alvo para cima após digerir o guidance revisado de receita de serviços.

O que pode acontecer daqui para frente: três cenários

Cenário 1 · Guidance cumprido

Se o banco entregar os intervalos revisados de carteira de crédito, margem financeira e custo de crédito, o ROE tende a permanecer na faixa de 23% a 25% nos próximos trimestres, mantendo o prêmio de rentabilidade sobre os pares.

Cenário 2 · Volatilidade de mercado persiste

Se a atividade no mercado de capitais brasileiro continuar fraca, a receita de serviços e seguros pode ficar no piso da nova faixa (2%), pressionando o resultado sem serviços na direção mais conservadora do guidance.

Cenário 3 · Recuperação de mercado de capitais

Uma retomada de volume em ofertas e operações estruturadas pode acelerar a margem financeira com o mercado, que já cresceu 8,6% no ano, e ajudar o banco a superar o teto da nova faixa de guidance.

Nenhum desses cenários representa uma previsão da EBC sobre o comportamento futuro da ação ITUB4. Servem apenas para mapear variáveis que o investidor deve acompanhar.

FAQ: Itaú, ITUB4 e o balanço do 2T26

1) Por que o lucro do Itaú veio abaixo do consenso mesmo com alta de 7,8%?

O mercado projetava R$ 12,5 bilhões e o banco entregou R$ 12,4 bilhões. A diferença é pequena, mas o principal fator foi a revisão do guidance de receita de serviços e seguros, afetada pela menor volatilidade favorável no mercado de capitais ao longo do ano.


2) O que é ROE e por que 24,3% é considerado um número alto?

ROE mede quanto lucro o banco gera para cada real de patrimônio dos acionistas. Um ROE de 24,3% coloca o Itaú entre os bancos mais rentáveis da América Latina, bem acima dos 12,5% do Santander Brasil e dos 7,3% do Banco do Brasil no trimestre mais recente disponível.


3) Quando o JCP de R$ 7,84 bilhões cai na conta do acionista?

O pagamento está marcado para 28 de agosto de 2026. Têm direito os acionistas que tinham posição em ITUB3 ou ITUB4 até 19 de março (primeiro pagamento) e até 18 de junho (segundo pagamento), respectivamente.


4) Por que o Itaú revisou o guidance de receita de serviços e seguros?

O banco citou maior volatilidade no mercado de capitais do que a projetada no início do ano, o que reduz taxas de performance e receitas ligadas a operações estruturadas. As demais linhas do guidance, como crédito e margem financeira, foram mantidas sem alteração.


5) Como o Itaú se compara a Santander e Banco do Brasil em rentabilidade?

O Itaú lidera com folga: ROE de 24,3% no 2T26, contra 12,5% do Santander Brasil no mesmo trimestre e 7,3% do Banco do Brasil no 1T26. A diferença reflete, entre outros fatores, a maior exposição do BB ao agronegócio, setor sob pressão de inadimplência.


6) A inadimplência do Itaú é motivo de preocupação?

Não, pelos dados atuais. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo, mesmo com a carteira de crédito crescendo 9,6% no ano. É um dos indicadores que o mercado mais valoriza no papel.


7) Vale a pena comprar ITUB4 depois do resultado do 2T26?

A ação já negocia próxima da faixa de preço-alvo que parte do mercado via como valor justo antes do balanço. Isso não invalida a tese, mas reduz a margem de segurança. Avalie o risco-retorno com seu assessor antes de qualquer decisão.


8) Quando é o próximo resultado do Itaú?

O calendário de mercado aponta o balanço do terceiro trimestre de 2026 para novembro. Antes disso, o pagamento do JCP em 28 de agosto e a decisão do Copom são os principais catalisadores de curto prazo para o papel.


Conclusão

O Itaú entregou mais um trimestre de crescimento consistente: lucro de R$ 12,4 bilhões, ROE de 24,3% e inadimplência estável em 1,9%. O resultado ficou marginalmente abaixo do consenso, e o ajuste no guidance de receita de serviços mostra que nem tudo está imune à volatilidade do mercado de capitais.


Para o acionista, o JCP de R$ 7,84 bilhões, pago em 28 de agosto, reforça a política de remuneração recorrente do banco. Para o trader, a ação chegou perto da faixa de preço-alvo que o mercado via como justa antes do balanço, o que pede mais critério na entrada. O próximo catalisador relevante é o resultado do terceiro trimestre, em novembro.


Traders que buscam operar a volatilidade de ações do setor bancário brasileiro no curto prazo podem acompanhar as condições atualizadas para ITUB4 na página de ações CFD da EBC.

Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.