Publicado em: 2026-02-20
A Walmart encerrou o quarto trimestre fiscal de 2026 com US$ 190.7 bilhões em receita (+5.6% a/a), EPS ajustado de US$ 0.74 (vs. US$ 0.73 consenso) e vendas comparáveis nos EUA em +4.6%. O e-commerce doméstico avançou 27%, marcando o 15º trimestre consecutivo de crescimento em dois dígitos. A empresa ainda anunciou US$ 30 bilhões em recompras, reforçando retorno ao acionista.

Mesmo assim, o papel reagiu com volatilidade após a divulgação. O guidance para o próximo exercício apontou crescimento de vendas entre 3.5% e 4.5% e EPS anual de US$ 2.75–2.85. abaixo das estimativas do mercado. A combinação de múltiplos já esticados, compressão de margens projetada e cautela do management deslocou o foco do “beat” para o risco de desaceleração.
- Beat técnico, reação fria: superou consenso em receita e EPS, mas a revisão implícita de crescimento reduziu o upside imediato.
- Motor digital consistente: +27% no e-commerce EUA sustenta ganho de share e melhora de mix.
- Margem sob escrutínio: custos logísticos e promoções pressionam alavancagem operacional no curto prazo.
- Capital allocation agressivo: US$ 30 bi em buybacks sustentam EPS via redução de float.
- Valuation sensível ao guidance: com múltiplos elevados para o setor, qualquer ajuste de expectativa pesa no preço.
| Indicador |
O avanço de 27% no digital não é apenas volume. A companhia ampliou entregas same-day e next-day, elevando recorrência e ticket médio. Além disso, cresce a contribuição de publicidade e marketplace, segmentos de margem superior ao varejo tradicional. A questão é sustentabilidade: a base comparativa já é elevada, o que tende a normalizar taxas nos próximos trimestres.
- Integração loja física + fulfillment center reduz custo por pedido.
- Maior penetração de clientes de renda mais alta.
- Expansão do ecossistema de serviços (assinaturas e ads).
O mercado não ignorou o resultado; ele reprecificou risco. O guidance sugere:
- Crescimento mais moderado.
- Ambiente macro instável.
- Possível compressão de margem operacional.
Em termos técnicos, quando uma ação negocia próxima a máximas históricas, o valuation passa a depender mais de revisões positivas futuras do que de beats pontuais. Sem elevação de guidance, o fluxo comprador perde intensidade.
- Papel tende a reagir mais a revisões de analistas do que aos números já publicados.
- Níveis técnicos próximos a médias móveis longas serão determinantes para continuidade de tendência.
- Buybacks robustos sustentam crescimento de EPS.
- Digital continua ampliando vantagem competitiva.
- Caso defensivo permanece válido em cenário macro volátil.
A chave está na evolução das margens nos próximos dois trimestres.

Sim. Receita e EPS vieram levemente acima do consenso, com forte desempenho no e-commerce e vendas comparáveis.
O guidance para o próximo exercício ficou abaixo das expectativas, reduzindo projeções de crescimento e impactando valuation.
Provavelmente em ritmo menor. A base já é elevada, mas a integração omnichannel pode sustentar expansão estrutural.
Sim. Reduz o número de ações em circulação, elevando o lucro por ação mesmo com crescimento operacional moderado.
Sim, especialmente em ambientes macro incertos, mas o upside depende da evolução das margens e do consumo.
O quarto trimestre confirmou execução operacional sólida e avanço digital consistente. Contudo, o mercado precifica futuro, não passado. O guidance conservador deslocou a narrativa de “crescimento acelerado” para “estabilidade defensiva”, o que limita expansão de múltiplos no curto prazo.
Para investidores experientes, o case não deteriorou; ele amadureceu. A ação segue sustentada por geração de caixa robusta, recompra agressiva e domínio logístico. Já para traders, o foco deve estar em revisões de guidance, comportamento técnico e fluxo institucional.
A pergunta central agora não é se a empresa entregou, ela entregou. A questão é se o crescimento projetado justifica o valuation atual.
Aviso: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não constitui (nem deve ser considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou de qualquer outra natureza que deva ser levado em consideração. Nenhuma opinião expressa neste material constitui uma recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento em particular seja adequado para qualquer pessoa específica.