Mais uma empresa lucrativa foge da B3: a bolsa brasileira está virando quintal de estrangeiro?
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Mais uma empresa lucrativa foge da B3: a bolsa brasileira está virando quintal de estrangeiro?

Publicado em: 2026-05-27

A Mills não vai fechar fábrica. Não vai demitir em massa. Não vai sair do Brasil. O que vai acontecer é mais silencioso e mais relevante: uma das maiores locadoras de equipamentos do país vai deixar de ser negociada na B3. A francesa Loxam, maior locadora da Europa, anunciou em 25 de maio a compra de 50.3% do capital da Mills por R $ 16 por ação, prêmio de 22% sobre o fechamento anterior, em operação avaliada em R $ 3.8 bilhões. As ações MILS3 dispararam 15% no mesmo dia.


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Não é surpresa para quem acompanhava o papel. A Mills encerrou 2025 com receita líquida de R $ 1.84 bilhão, EBITDA de R $ 941 milhões e margem EBITDA de 51.2%. No 1T26. o lucro saltou de R $ 68 para R $ 197 milhões na comparação anual. Uma empresa lucrativa, geradora de caixa, ROIC acima de 20%, comprada a EV/EBITDA de 5x, múltiplo abaixo do que analistas do BTG consideravam justo. O mercado estrangeiro enxergou o desconto. E agiu.


Preço por ação
(OPA)
R$ 16,00
+22% sobre fechamento
Valor da operação
R$ 3,8 bi
50,3% do capital
Alta MILS3 no dia
+15%
De R$ 13,10 para ~R$ 15,10
EV/EBITDA implícito
5x
Antes negociava a 4x


A operação Loxam–Mills: o que está em jogo para o acionista


A Loxam, fundada em 1967 e com receita de €2.5 bilhões em 2025 e 1.130 filiais em 28 países, adquiriu a fatia de controle detida pela família Nacht, fundadora da Mills desde 1952. O preço de R $ 16 por ação será corrigido por 70% do CDI a partir do 31º dia até o fechamento. O pagamento é à vista. Como a Mills está listada no Novo Mercado da B3. a mudança de controle obriga a Loxam a realizar uma OPA para todos os acionistas minoritários nas mesmas condições. A operação ainda depende de aprovação do Cade.


Item
Dado
Contexto
Preço por ação
R$ 16,00
Prêmio de 22% sobre 22/05/2026
Fatia adquirida
50,3%
Bloco de controle - família Nacht
Valor total da operação
~R$ 3,75 bilhões
Market cap implícito
EV/EBITDA implícito
5x
Antes do anúncio: negociava a 4x
P/L implícito
9x
Versus ~7x nos pregões anteriores
OPA obrigatória
R$ 16 + Selic
Regra do Novo Mercado da B3
Aprovação pendente
Aguardando Cade
Condição suspensiva
Alta MILS3 em 25/05
+15%
De R$ 13,10 para ~R$ 15,10


Para o acionista: BTG mantinha preço-alvo de R$ 19 antes do anúncio. A Nord Investimentos estimou que o valor justo da Mills poderia ser 2,5 vezes maior em cinco anos, com crescimento médio anual de 14%. A Loxam comprou com desconto sobre o potencial de longo prazo.


Os fundamentos que a Loxam comprou com desconto


A Mills não era uma empresa em dificuldade. Crescimento de receita de 16.7% em 2025. EBITDA acima de R $ 940 milhões, conversão de caixa acima de 80% e ROIC sustentado acima de 20%. Os contratos de longo prazo já representavam 55% da receita de locação no 4T25. ante 44% no 4T24. reduzindo a dependência de contratos spot e aumentando a previsibilidade do fluxo de caixa.


Receita 2025
R$ 1,84 bi
+16,7% a/a
EBITDA 2025
R$ 941 mi
Margem 51,2%
Lucro caixa 2025
R$ 502 mi
+21,5% a/a
Lucro 1T26
R$ 197 mi
vs R$ 68 mi no 1T25
ROIC
+20%
Mantido acima
Dívida / EBITDA
1,5x
Estável e gerenciável


Análise técnica MILS3: o que fazer com a posição agora


Com OPA garantida a R $ 16 por ação mais correção pela Selic, o papel passa a funcionar como instrumento de renda fixa implícita para quem ainda não vendeu. O risco de queda relevante abaixo de R $ 14.50 existe apenas se o Cade barrar a operação, cenário considerado improvável mas não descartável.


OPA / alvo R$   16,00 + Selic Preço garantido para   minoritários após aprovação do Cade
Cotação atual R$   15,00 – 15,60 Reflete o prêmio com desconto de   arbitragem
Suporte imediato R$   14,50 Piso em caso de dúvida   regulatória sobre o Cade
Suporte histórico R$   13,10 Fechamento de 22/05, base do   prêmio de 22%
Risco de ruptura Abaixo de R$ 13,00 Apenas em cenário de bloqueio   pelo Cade


Para o trader: A relação risco-retorno passou a ser de arbitragem. Comprar abaixo de R$ 15,50 com expectativa de receber R$ 16 + Selic na liquidação da OPA. O papel deixou de ter interesse especulativo direcional.


O problema maior: mais uma empresa vai deixar a B3


A operação da Mills não é caso isolado. Em 2025. pelo menos dez companhias deixaram a bolsa via OPA ou fechamento de capital. Em 2026. a lista segue crescendo. O padrão é consistente: valuation deprimido, custo de manter capital aberto, juros altos comprimindo múltiplos e grupos estrangeiros dispostos a pagar prêmio sobre ativos que o mercado local subprecificou.


Santos Brasil
CMA Terminals
2025 - concluído
Wilson Sons
MSC Mediterranean
2025 - concluído
ClearSale
Serasa Experian
2025 - concluído
Kora Saúde
HIG Capital
2025 - concluído
Gol (GOLL54)
Saída definitiva
Mar/2026
Neogrid (NGRD3)
OPA em curso
2026 - pendente
Mills (MILS3)
Loxam SAS - França
2026 - pend. Cade
Neoenergia
Iberdrola - Espanha
2026 - OPA prot.


Impacto estrutural: Cada saída reduz o universo de ativos disponíveis para o investidor local. Isso concentra o índice em papéis de maior porte e elimina alternativas de diversificação em setores como locação de equipamentos, saúde e logística.


FAQ: Mills, MILS3 e a saída da B3


1) O que acontece com quem tem MILS3 agora?

Após aprovação do Cade, a Loxam é obrigada por lei a realizar uma OPA ao preço de R $ 16 por ação, corrigido pela Selic. O acionista pode aceitar a oferta dentro do prazo ou aguardar o resgate compulsório pelo mesmo valor.


2) Vale comprar MILS3 agora para participar da OPA?

A arbitragem existe: comprar abaixo de R $ 15.50 com expectativa de receber R $ 16 + Selic tem retorno definido. O risco é a não aprovação pelo Cade, improvável mas não zero. Avalie o prazo e o custo de oportunidade com seu assessor. Não é recomendação de investimento.


3) Por que o prêmio de 22% foi considerado baixo pelo mercado?

O BTG mantinha preço-alvo de R $ 19 antes do anúncio. Com lucro triplicando no 1T26 e ROIC acima de 20%, analistas entendem que a Mills foi vendida a múltiplos conservadores. A Nord estimou valor justo 2.5 vezes maior em cinco anos com crescimento anual de 14%.


4) Quem é a Loxam e por que quis a Mills?

Fundada em 1967. maior locadora da Europa com €2.5 bilhões de receita e 1.130 filiais em 28 países. Já operava no Brasil desde 2015. A Mills entrega liderança em plataformas elevatórias na América Latina e contratos de longo prazo, acelerando a expansão regional sem construir do zero.


5) Quando a operação deve ser concluída?

O prazo depende do Cade. Operações desse perfil levam de 3 a 9 meses. A Loxam tem interesse em consolidar as operações brasileiras (Mills, Loxam do Brasil e A Geradora), que teriam receita combinada superior a R $ 2.4 bilhões após a integração.


6) O fechamento de capital é boa notícia?

Para o acionista atual, sim: há liquidez garantida acima do preço pré-anúncio. Para o mercado de capitais brasileiro, é mais uma perda de empresa relevante em setor com poucos players listados. O universo de diversificação para o investidor local segue encolhendo.


7) A onda de fechamentos de capital vai continuar?

Muito provavelmente. Juros altos comprimem múltiplos e tornam empresas geradoras de caixa atraentes para grupos estrangeiros. Enquanto a Selic permanecer em dois dígitos e os IPOs não voltarem com força, o saldo deve continuar negativo para a B3.


Conclusão


A Mills entregou crescimento de receita de 16.7% em 2025. EBITDA de R $ 941 milhões e lucro caixa de R $ 502 milhões. No 1T26. o lucro triplicou. A empresa foi comprada por 5x EBITDA, múltiplo que o mercado local nunca quis pagar. A Loxam pagou. Para o acionista minoritário, a OPA a R $ 16 garante liquidez com prêmio. Para o mercado de capitais brasileiro, é mais uma empresa relevante saindo do pregão em uma onda que já soma dezenas de deslistagens desde 2024. A questão não é se outras virão. A questão é quais setores vão ficar sem representação na B3 quando as próximas OPAs forem concluídas.


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