Sabesp (SBSP3): a privatização ainda vale a pena?
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Sabesp (SBSP3): a privatização ainda vale a pena?

Autor:Pietro Costa

Publicado em: 2026-05-28

A Sabesp (SBSP3) entra em 2026 como um dos maiores cases recentes do mercado de capitais brasileiro. A privatização, concluída em julho de 2024, transformou a estatal paulista em uma companhia de saneamento globalmente relevante. Em 2026, o preço da ação foi desdobrado na proporção de 1 para 5, levando o papel da casa dos R$ 130 para perto de R$ 28,46. Quem comprou na época do IPO já viu o investimento multiplicar várias vezes.


O primeiro trimestre de 2026 reforçou a tese de eficiência pós-privatização. O Ebitda ajustado avançou 26% em base anual, atingindo R$ 3,78 bilhões. O lucro líquido ajustado foi de R$ 1,55 bilhão, com queda de 26-27% nos custos de pessoal. A redução de 13% no quadro de funcionários após a privatização começa a mostrar efeitos consistentes no resultado. A receita anual já ultrapassa R$ 24 bilhões.


A XP mantém recomendação de compra com preço-alvo equivalente de R$ 32,48 após o desdobramento, enquanto a Genial trabalha com preço-alvo equivalente de R$ 24 por ação. A divergência entre casas reflete diferentes premissas sobre execução do capex e expansão para outros estados. Para entender por que ações de utilities reagem assim, vale conhecer melhor como a taxa de juros afeta o mercado, já que empresas de saneamento são muito sensíveis ao custo de capital.


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O que é a Sabesp e como funciona o setor de saneamento?


A Sabesp é a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Fundada em 1973, atende mais de 17 milhões de ligações de água e esgoto, sendo a maior empresa de saneamento do mundo em número de consumidores. Atua em 374 municípios paulistas, com receita derivada principalmente de tarifas reguladas pela Arsesp, a agência reguladora estadual.


O setor de saneamento no Brasil tem espaço estrutural enorme. O marco regulatório aprovado em 2020 prevê universalização do acesso a água e esgoto até 2033. A Sabesp se posiciona como provável consolidadora desse processo, com capacidade financeira para entrar em outros estados. Esse perfil de crescimento secular atrai investidores que valorizam diversificação setorial na carteira de longo prazo.


Como foi a privatização e seus efeitos em SBSP3?


A privatização da Sabesp foi concluída em julho de 2024 e marcou o fim de cinco décadas de controle do governo paulista. O processo gerou ganhos imediatos para acionistas: a ação subiu fortemente nos meses seguintes, refletindo a expectativa de melhora operacional. A nova gestão privada implementou cortes de pessoal, revisão de processos e foco em produtividade, com resultados concretos visíveis a partir de 2025.


Em 2026, o Investor Day apresentou um plano agressivo: capex de R$ 84 bilhões entre 2026 e 2030, com R$ 20 bilhões somente neste ano. A empresa também sinalizou interesse em expandir para drenagem, gestão de resíduos sólidos e potencialmente para outros estados ou países. Movimentações desse tipo costumam impactar o desempenho das ações, como observamos em outras grandes empresas do Brasil que passaram por processos similares.


Quais são os dividendos pagos por SBSP3?


A Sabesp tem distribuído dividendos relevantes desde a privatização. Em 12 meses, a empresa pagou cerca de R$ 3,76 por ação (já ajustado pelo desdobramento), gerando dividend yield próximo de 4,79%. O calendário inclui pagamentos em maio e dezembro. Em abril de 2026, foi distribuído R$ 1,36 por ação.


Com a privatização, a política de distribuição tende a se tornar mais previsível, com espaço para elevação gradual do payout nos próximos anos. A combinação entre receita regulada estável e investimentos elevados para expansão coloca a Sabesp em um caminho intermediário entre crescimento e dividendos. Para o investidor focado em renda passiva via fundos imobiliários e ações, SBSP3 oferece um perfil interessante de utility com viés de crescimento.


Quais riscos cercam o investimento em SBSP3?


O principal risco é a execução do plano de capex bilionário. Atrasos em obras, estouro de orçamento ou problemas operacionais podem prejudicar a tese. A Sabesp já levantou cerca de R$ 36 bilhões em dívida desde a privatização, fechando 2025 com R$ 40 bilhões em dívida bruta, contra R$ 25 bilhões no ano anterior. Em fevereiro, fez a maior emissão de blue bonds do mundo, captando R$ 7,8 bilhões.


Há também o risco regulatório. Revisões tarifárias periódicas pela Arsesp podem ser mais ou menos favoráveis, afetando margens. Períodos de estiagem prolongada também pressionam a empresa, embora o risco hídrico tenha perdido peso estrutural após investimentos em interligações de sistemas. Acompanhar o cenário macroeconômico global em 2026 é importante para entender o custo de financiamento da expansão.


Outro fator é o risco político. Mudanças de governo em São Paulo ou no Brasil podem afetar contratos de concessão e o ambiente regulatório do setor. Para mitigar, o investidor pode considerar comparar com pares regionais como Sanepar e Copasa, ou diversificar com ETFs do setor de utilities, reduzindo a concentração em uma única empresa.


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SBSP3 vale a pena em 2026?


A Sabesp representa uma das melhores teses de saneamento da América Latina. A combinação entre privatização recente, eficiência crescente, capex em ritmo acelerado e potencial de expansão para outros estados forma um pacote atrativo. O desdobramento aumentou a liquidez e tornou o papel acessível a mais investidores pessoa física.


Para o investidor de longo prazo, SBSP3 oferece exposição a um setor essencial, com receita regulada e potencial estrutural de crescimento. O preço atual reflete parte do otimismo, mas analistas ainda enxergam upside relevante. A volatilidade no curto prazo deve continuar, especialmente em momentos de tensão sobre juros ou estiagem. Quem aceita esse perfil tem na Sabesp uma das poucas ações com tese de transformação completa em curso na B3.


Perguntas Frequentes (FAQ)


Quando ocorreu o desdobramento de SBSP3?

O desdobramento de 1 para 5 ocorreu em 2026. Quem tinha 1 ação passou a ter 5, cada uma valendo aproximadamente um quinto do preço anterior.


A Sabesp paga dividendos mensais?

Não. Os pagamentos ocorrem geralmente em maio e dezembro, conforme calendário aprovado pelo conselho de administração da companhia.


Quem controla a Sabesp agora?

Após a privatização, o controle passou para o Grupo Equatorial em parceria com investidores institucionais. O governo de SP segue com participação minoritária.


SBSP3 vai expandir para fora do estado de São Paulo?

Sim, é uma possibilidade real. O CEO já sinalizou interesse em participar de leilões em outros estados e em setores como drenagem e gestão de resíduos.


Qual o preço-alvo de SBSP3 para 2026?

O consenso de analistas aponta preço-alvo entre R$ 24 e R$ 40 (base ajustada pelo desdobramento), com média próxima de R$ 32 segundo o Investing.


Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.