Publicado em: 2026-06-01
Investir em Embraer (EMBJ3) tem sido uma das teses mais bem avaliadas da bolsa em 2026, sustentada por exposição ao dólar, demanda forte por aeronaves e crescimento na divisão de defesa. A ação acumula alta de cerca de 15% no ano, depois de avançar mais de 58% em 2025, e segue com recomendação de compra de grandes casas de análise.
Esse ciclo de valorização vem de longe: em 2024, o papel chegou a subir mais de 150% em um único ano. Ou seja, o investidor que olha apenas o retorno passado vê uma das histórias mais fortes da bolsa brasileira recente.
Ainda assim, o preço já reflete boa parte desse otimismo. Antes de decidir, é importante entender o que move o papel, quais são os pontos fortes da companhia e onde estão os riscos.

O que faz da Embraer uma referência no setor aéreo?
A Embraer é a fabricante brasileira de aeronaves comerciais, executivas e de defesa, e figura entre as maiores empresas do Brasil no setor industrial. Sua receita é fortemente ligada às exportações, o que torna o negócio sensível ao câmbio.
Fundada em 1969, a empresa se consolidou como uma das poucas fabricantes globais de jatos comerciais de médio porte. Essa posição é difícil de replicar, já que envolve décadas de engenharia, certificações e relacionamento com companhias aéreas no mundo todo.
A companhia opera em quatro frentes principais: aviação comercial, aviação executiva, defesa e serviços. Essa diversificação reduz a dependência de um único mercado e dá mais previsibilidade aos resultados, algo valorizado por investidores de longo prazo.
Como a ação da Embraer (EMBJ3) se valorizou?
O desempenho recente impressiona. Além da alta de 2026, o papel subiu mais de 58% em 2025 e teve valorização superior a 150% em 2024. Esse ciclo positivo foi acompanhado por melhora estrutural de retornos, crescimento e redução do custo de capital.
No primeiro trimestre de 2026, a empresa entregou 44 aeronaves, volume cerca de 47% superior ao mesmo período do ano anterior. Esse avanço de entregas tende a se converter em mais receita e mais lucro ao longo do ano, já que boa parte da rentabilidade se concentra no segundo semestre.
Quais fatores sustentam a tese de investimento?
O principal pilar é o backlog, a carteira de pedidos firmes, estimada em torno de US$ 32 bilhões. Esse volume dá visibilidade de receita por vários anos e reduz o risco de depender apenas de novos contratos.
A exposição cambial é outro atrativo. Como a empresa recebe em moeda forte, uma alta da cotação do dólar frente ao real costuma beneficiar o resultado. Soma se a isso o aquecimento dos orçamentos de defesa no mundo, que amplia a demanda por produtos como o cargueiro militar da companhia.
A divisão de defesa, aliás, virou um dos motores da tese. Acordos recentes no Oriente Médio e negociações com países da América Latina ampliam a visibilidade de entregas até o fim da década. O mercado indiano também aparece como uma frente promissora, tanto na aviação comercial quanto na militar.
O principal produto dessa divisão é o cargueiro militar KC-390 Millennium, uma aeronave de transporte que tem despertado interesse de forças armadas em vários continentes. Diferentemente de jatos comerciais, contratos de defesa costumam envolver volumes altos, prazos longos e serviços associados de manutenção, o que gera uma receita estável e de margem atrativa. Cada novo país que adota o modelo tende a reforçar a credibilidade da plataforma e a abrir portas para vendas adicionais.
Analistas também apontam que a ação negocia com desconto relevante frente a pares globais, o que abre espaço para reprecificação à medida que a visibilidade de entregas aumenta. A subsidiária de mobilidade aérea elétrica, a Eve, é vista como uma opção adicional de valor no longo prazo.
A Eve desenvolve os chamados eVTOL, veículos elétricos de decolagem e pouso verticais pensados para o transporte urbano, uma espécie de táxi aéreo. O segmento ainda está em estágio inicial e depende de certificação e de uma cadeia de operação que mal começou a existir. Por isso, o mercado costuma tratar a Eve como uma aposta de potencial elevado, mas de risco igualmente alto, que pode adicionar valor à tese da Embraer sem ser, por ora, o centro dela.
Como avaliar o preço da EMBJ3 hoje?
Mesmo com a alta acumulada, parte dos analistas vê espaço de valorização adicional, com preços alvo que projetam retornos de dois dígitos. Para quem pensa em investir em ações com esse perfil, o ponto central é comparar o múltiplo atual com o de fabricantes estrangeiras.
A leitura predominante é de que a Embraer ainda negocia abaixo de seus pares internacionais, considerando indicadores como valor da empresa sobre Ebitda e sobre a carteira de pedidos. Esse desconto é o principal argumento de quem defende que a tese de investir em Embraer ainda tem fôlego.
Outro ponto que sustenta as projeções é a divisão de serviços, que inclui manutenção, peças e suporte às aeronaves já vendidas. Essa receita é recorrente e tende a crescer conforme a frota em operação aumenta, o que dá mais estabilidade ao resultado mesmo em anos de entregas mais fracas.

Quais riscos o investidor deve considerar?
O ponto mais citado é o preço. Depois de uma valorização longa, parte dos investidores locais demonstra cautela diante de múltiplos elevados. Quem pensa em investir em Embraer precisa avaliar se o potencial de alta compensa o risco de uma correção técnica.
Há ainda a pressão de tarifas comerciais sobre as margens e a forte sazonalidade das entregas, concentradas no fim do ano. Em períodos de aversão a risco, papéis ligados a exportação podem oscilar junto com o Ibovespa, mesmo quando os fundamentos seguem sólidos.
Conclusão
Para o investidor de longo prazo, a tese aposta em uma empresa global, exposta ao dólar e com uma carteira de pedidos robusta. Os fundamentos são consistentes, mas o preço esticado e a sazonalidade pedem disciplina. A decisão depende do perfil de risco e do horizonte de cada investidor, não havendo resposta única que sirva para todos.
Perguntas frequentes (FAQ)
A Embraer paga bons dividendos?
A companhia distribui proventos, mas o foco da tese é crescimento e geração de caixa, não dividendos elevados como em setores defensivos.
Por que a alta do dólar ajuda a Embraer?
Porque grande parte da receita vem de exportações em moeda forte, enquanto parte dos custos é em real, o que amplia a margem.
A Embraer fabrica aviões de grande porte?
Não. Seu foco são jatos comerciais de médio porte, além de aeronaves executivas e militares, segmento em que se tornou uma das líderes mundiais.
A Embraer depende só da aviação comercial?
Não. Atua também em aviação executiva, defesa e serviços, o que reduz a dependência de um único segmento de mercado.
O que significa backlog de pedidos?
É o total de encomendas firmes já contratadas. Quanto maior, mais previsível tende a ser a receita futura da empresa.