Publicado em: 2026-04-22
O dólar americano acumula uma queda expressiva frente ao real nos últimos meses. Depois de superar a marca histórica de R$ 6,20 no final de 2024, a cotação do dólar recuou para a faixa de R$ 4,95 em abril de 2026, o nível mais baixo desde março de 2024. Em pouco mais de um ano, a moeda norte-americana perdeu aproximadamente 20% do seu valor frente ao real.
Mas o que está por trás dessa desvalorização tão intensa? A resposta envolve uma combinação de fatores globais e domésticos: da política tarifária errática de Donald Trump ao diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, passando pela perda de confiança dos investidores nas instituições americanas. Neste artigo, você entende as principais causas da queda do dólar e o que esperar para os próximos meses.

A cotação do dólar reflete o preço da moeda americana em relação ao real e é determinada, essencialmente, pela lei da oferta e da demanda. Quando mais investidores querem comprar dólares, a moeda sobe. Quando aumenta a oferta de dólares no mercado brasileiro, ela cai.
Essa dinâmica é influenciada por uma série de variáveis: política monetária dos bancos centrais, balança comercial, fluxo de investimentos estrangeiros, geopolítica e confiança dos mercados nas instituições de cada país. Todos esses fatores agiram em conjunto para derrubar o dólar frente ao real desde o início de 2025.
Entender o que move a cotação do dólar é fundamental para qualquer pessoa que realiza operações de câmbio, viaja ao exterior, importa produtos ou investe em ativos dolarizados.
A queda do dólar frente ao real foi impulsionada sobretudo por fatores externos. O principal deles foi a erosão da confiança dos investidores globais na economia americana após a posse de Donald Trump, em janeiro de 2025.
As políticas tarifárias agressivas e unilaterais do governo americano desencadearam o que economistas chamaram de guerras comerciais, afetando parceiros comerciais ao redor do mundo e gerando insegurança nos mercados. O efeito foi paradoxal: em vez de fortalecer o dólar, essas políticas contribuíram para enfraquecer a percepção dos EUA como porto seguro global.
Outro fator decisivo foi o diferencial de juros. Com a taxa Selic brasileira em 15% ao ano e os juros americanos em queda, ficou atrativo para investidores estrangeiros captar recursos mais baratos no exterior e aplicá-los em títulos brasileiros de renda fixa, gerando entrada de dólares no Brasil e derrubando a cotação da moeda americana.
Além disso, o Brasil se beneficiou de um superávit comercial robusto, impulsionado pelas exportações de commodities. Uma maior quantidade de dólares entrando no país via balança comercial também contribui para a queda da moeda americana frente ao real.
Quando Donald Trump voltou ao poder, o mercado esperava um dólar forte, impulsionado pela expectativa de reindustrialização americana e políticas protecionistas. O resultado foi o oposto.
As decisões erráticas do governo americano, incluindo tarifas impostas de forma unilateral a países aliados e rivais, geraram desconfiança na institucionalidade dos EUA. As decisões do Fed também entraram no radar, com o mercado monitorando de perto o ritmo de corte de juros americanos e seus impactos no câmbio global.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes como euro, libra e iene, também recuou no período, mostrando que a desvalorização não foi exclusiva ao real, mas um fenômeno global.
Nesse contexto, parte considerável do fluxo de capital que antes se concentrava em ativos americanos passou a buscar mercados emergentes como o Brasil, percebido como um beneficiário relativo da nova ordem econômica global.
O carry trade é uma estratégia muito comum no mercado financeiro. Consiste em captar recursos em países com juros baixos, como Japão ou Suíça, e aplicá-los em países com juros mais altos, como o Brasil, para lucrar com o diferencial de taxas.
Em 2025, com a Selic brasileira em patamares elevados e os juros americanos em queda, o carry trade ganhou força. Investidores estrangeiros passaram a trazer dólares para o Brasil em busca da rentabilidade oferecida pela renda fixa nacional. Esse fluxo expressivo de entrada de divisas pressionou o dólar hoje para baixo no mercado de câmbio.
Vale ressaltar que esse movimento também acende o debate sobre a desdolarização global: a redução gradual da dependência mundial do dólar como moeda de reserva internacional. A perda de credibilidade das instituições americanas acelerou essa discussão ao longo de 2025 e 2026.
As projeções para o dólar em 2026 são de relativa estabilidade, mas com volatilidade. Bancos e consultorias esperam que a cotação do dólar fique entre R$ 5,00 e R$ 5,60 ao longo do ano, dependendo do comportamento dos fatores domésticos e internacionais.
No cenário interno, o calendário eleitoral brasileiro de 2026 tende a aumentar a incerteza e pode pressionar o dólar para cima em determinados momentos. Eventuais sinalizações negativas sobre a trajetória fiscal do governo também são monitoradas de perto pelo mercado.
No cenário externo, a continuidade ou reversão das políticas tarifárias de Trump e a velocidade dos cortes de juros pelo Fed serão determinantes. Para quem deseja acompanhar essas movimentações com mais profundidade, vale conhecer a história de como surgiu o dólar americano e entender a lógica por trás do seu status de moeda de reserva global.
Por fim, o nível da Selic continuará tendo papel fundamental na cotação do dólar hoje e nos próximos meses. Se o Banco Central iniciar um ciclo de cortes de juros mais agressivo, o diferencial de taxas com os EUA diminui, o que pode reduzir o fluxo de entrada de capital estrangeiro e pressionar o câmbio.
A queda do dólar frente ao real ao longo de 2025 e 2026 é resultado de uma confluência rara de fatores: políticas erráticas do governo Trump, diferencial de juros favorável ao Brasil, superávit comercial sólido e perda de confiança dos investidores na institucionalidade americana.
Acompanhar a cotação do dólar é essencial para a tomada de decisões financeiras, seja para quem investe, viaja, importa ou opera no mercado Forex. O dólar hoje reflete não apenas a economia dos EUA, mas o equilíbrio frágil de forças entre as maiores economias do mundo.
Depende do cenário. Projeções apontam cotação entre R$ 5,00 e R$ 5,60. Fatores eleitorais e fiscais domésticos podem pressionar o dólar para cima ao longo do ano.
Juros altos no Brasil atraem investidores estrangeiros, que trazem dólares para aplicar em renda fixa. Mais dólares no mercado derrubam a cotação da moeda americana.
O dólar comercial é usado em transações entre empresas e governos. O dólar turismo é voltado a pessoas físicas em viagens, com cotação mais alta por conta de impostos e margem das instituições financeiras.
O DXY mede o dólar frente a uma cesta de moedas como euro e iene. Quando o DXY cai, o dólar tende a enfraquecer globalmente, incluindo frente ao real brasileiro.
Depende do setor. Importadores se beneficiam com produtos mais baratos. Exportadores perdem receita em reais. Para o consumidor, a queda pode reduzir a inflação de produtos importados.