Publicado em: 2026-08-05
Atualizado em: 2026-08-05
Larry Ellison foi, por algumas horas de setembro de 2025, o homem mais rico do planeta. Hoje ocupa a oitava posição no ranking global de bilionários. Em menos de dez meses, sua fortuna encolheu entre US$ 200 bilhões e US$ 213 bilhões, movimento que acompanha de perto o tombo de mais de 55% da ação da Oracle desde o topo histórico. A causa tem nome e endereço: a aposta bilionária da empresa em data centers de inteligência artificial.
O projeto Stargate, anunciado em janeiro de 2025 ao lado do presidente Donald Trump, previa até US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA e colocou a Oracle no centro da corrida por capacidade de nuvem junto a OpenAI, Meta e xAI. O mercado comprou a tese com entusiasmo: a ação chegou a bater US$ 345,72 em 10 de setembro de 2025, levando o valor de mercado da companhia a US$ 877,1 bilhões e a fortuna pessoal de Ellison, dono de cerca de 40% da empresa, a um pico próximo de US$ 388 bilhões.
O que mudou desde então não foi a tese de IA em si, mas a paciência do mercado com o ritmo de queima de caixa necessário para sustentá-la. Nos últimos dias, porém, o papel voltou a subir com força após a Oracle anunciar a expansão da parceria com o Google Cloud, trazendo os modelos Gemini para dentro do Fusion Applications e do NetSuite. Para o trader que acompanha ORCL, a leitura correta passa por separar o ruído patrimonial de Ellison dos fundamentos que realmente movem o papel: capex, dívida, geração de caixa e o gráfico de curto prazo.
O colapso patrimonial de Ellison não aconteceu num único evento, mas numa sequência de decisões e reações de mercado ao longo de um ano e meio. Abaixo, os marcos que explicam a trajetória de ORCL desde o anúncio do Stargate até a recuperação mais recente.
Fontes: Bloomberg Billionaires Index, Forbes, Yahoo Finance, TradingKey. Valores de patrimônio são estimativas de mercado, não renda ou caixa disponível.
A série deixa claro que a fortuna de Ellison é, na prática, um derivativo alavancado da ação ORCL: como ele detém cerca de 40% da companhia, cada oscilação percentual no papel se traduz quase diretamente em bilhões de dólares de variação patrimonial. É esse mesmo mecanismo que devolveu parte das perdas nos últimos pregões.
Para o trader que quer acompanhar essa volatilidade de perto, vale conhecer a página de ações CFD da EBC, onde ORCL está disponível para quem busca operar tanto altas quanto correções do papel.
A queda de ORCL não nasceu de um problema de demanda. A Oracle reportou receita de US$ 67,4 bilhões no ano fiscal de 2026, alta de 17%, e um backlog contratado (RPO) de US$ 638 bilhões, salto de 363% na comparação anual. O problema é a velocidade e o custo do dinheiro necessário para converter esse backlog em data centers físicos antes que a receita comece a entrar.
Parte do desconforto do mercado vem da concentração de clientes: a própria S&P citou a exposição à OpenAI, que responde por quase metade do backlog de US$ 638 bilhões, como um dos riscos centrais do rebaixamento. O contrato de nuvem entre as duas empresas, estimado em até US$ 300 bilhões, só começa a gerar receita relevante a partir de 2027, o que obriga a Oracle a se financiar via dívida e diluição acionária enquanto aguarda a conversão do backlog em caixa.
Para cobrir o buraco, a companhia já emitiu US$ 5 bilhões em ações preferenciais conversíveis obrigatórias em fevereiro de 2026 e sinalizou planos de captar mais cerca de US$ 40 bilhões em dívida e equity ao longo do ano fiscal de 2027. É esse pacote de financiamento, somado ao capex crescente, que sustenta o argumento dos analistas mais céticos, entre eles a Piper Sandler, que rebaixou a recomendação para neutra em meio ao ciclo de investimento mais pesado da história da empresa.
Com base no fechamento de 04/08/2026, a US$ 143,25, ORCL está em processo de recuperação técnica desde a mínima de 52 semanas tocada em 20/07/2026. O rali começou com a notícia da expansão da parceria com o Google Cloud em 30/07 e ganhou força adicional no pregão de 03/08, quando o papel avançou 9,22%. O volume da última sessão, porém, ficou abaixo da média diária de 34,9 milhões de ações, o que pede cautela na leitura de continuidade.
Leitura técnica com ressalva: boa parte dos movimentos recentes de ORCL foi impulsionada por notícias pontuais (rebaixamento de rating, parceria com o Google), não por fluxo técnico orgânico. Em cenários assim, com forte viés informacional e pouca liquidez relativa, os níveis de suporte e resistência tendem a ser rompidos com mais facilidade do que em um mercado tecnicamente equilibrado.
Nenhum dos cenários abaixo deve ser lido como recomendação de compra ou venda. São leituras neutras sobre para onde os próximos meses podem levar a tese de ORCL, com base nos dados disponíveis até esta publicação.
Ellison detém cerca de 40% da Oracle, então seu patrimônio segue quase diretamente a cotação de ORCL. A ação caiu mais de 55% do topo de setembro de 2025 por causa do capex elevado e da geração de caixa negativa ligados à expansão em data centers de IA.
Não no sentido de insolvência: a empresa segue com grau de investimento (BBB-) e receita crescendo 17% ao ano. O desconforto do mercado é com o ritmo do capex e o fluxo de caixa negativo, não com a demanda pelos serviços de nuvem e IA da companhia.
RPO (Remaining Performance Obligations) é o valor de contratos já firmados que ainda não viraram receita reconhecida. Quase metade está ligada à OpenAI, o que gera preocupação sobre concentração de clientes e o ritmo de conversão desse backlog em caixa.
A ação reagiu à expansão da parceria com o Google Cloud, anunciada em 30 de julho de 2026, que leva os modelos Gemini para dentro do Fusion Applications e do NetSuite da Oracle. O movimento se estendeu até o pregão de 3 de agosto, com alta de 9,22%.
Sim. Além do ticker ORCL na NYSE, o investidor brasileiro pode acessar a empresa via BDR ORCL34, listado na B3, ou operar a ação como CFD em corretoras internacionais que oferecem esse produto, como a EBC.
A ação negocia com desconto expressivo frente ao topo histórico, mas carrega risco de crédito real e dependência de poucos clientes grandes. Esta não é uma recomendação de investimento: avalie o perfil de risco com seu assessor antes de qualquer decisão.
A queda patrimonial de Larry Ellison é, antes de tudo, um efeito colateral de uma aposta corporativa: a Oracle decidiu financiar uma expansão massiva de infraestrutura de IA com dívida e capex agressivo, e o mercado está cobrando o preço dessa decisão em tempo real. Os últimos pregões mostram que essa mesma alavancagem funciona nos dois sentidos, com a ação recuperando parte do terreno perdido após a parceria com o Google. Para quem acompanha ORCL como trader, os próximos catalisadores relevantes são a evolução do capex de 2027, a conversão do backlog de US$ 638 bilhões em receita e qualquer novo movimento de agências de rating.
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