Publicado em: 2026-08-11
Atualizado em: 2026-08-12
Cinco dias depois de cortar a Selic para 14% ao ano, o Banco Central recebeu do próprio mercado a confirmação de que o ciclo ainda não terminou. O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (10) reduziu a projeção de IPCA de 2026 de 5,03% para 5,02% e a de PIB de 1,99% para 1,98%, mas manteve a Selic esperada para o fim do ano em 13,75%. Na prática, o mercado segue precificando mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro, o mesmo cenário que já estava desenhado antes da decisão do Copom da última quarta-feira.
A manutenção da Selic terminal é o dado que mais interessa a quem opera. Ela indica que o comunicado mais duro do Copom, divulgado junto com o corte de 0,25 ponto, não foi suficiente para convencer os analistas a recalibrar a trajetória dos juros. O IGP-M de 2026 recuou de 4,54% para 4,47%, os preços administrados caíram de 4,93% para 4,91% e o câmbio permaneceu estável em R$ 5,20 para o fim do ano, um conjunto de sinais que reforça a leitura de desinflação gradual sem euforia.
O Copom cortou a Selic de 14,25% para 14% em 5 de agosto, quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual desde março, em decisão unânime dos sete diretores. A taxa acumula um ponto percentual de queda frente ao pico de 15% mantido durante boa parte de 2025. O comunicado, porém, veio com tom mais cauteloso do que o mercado esperava, o que gerou dúvidas sobre o ritmo dos próximos passos.
O Focus desta segunda-feira respondeu a essa dúvida de forma indireta: a mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,75%, nível que já havia sido revisado para baixo na semana anterior, de 14% para 13,75%, pela primeira vez desde março. Ou seja, o mercado não recuou da aposta em mais um corte de 0,25 ponto até dezembro, mas também não acelerou essa expectativa depois do texto mais duro do Copom.
O ciclo de flexibilização monetária começou em março de 2026, depois de a Selic passar praticamente um ano no pico de 15%. Desde então, o Copom cortou os juros em quatro das cinco reuniões realizadas no ano, sempre no ritmo de 0,25 ponto percentual por decisão.
A projeção de IPCA para 2026 caiu pela sexta semana seguida, de 5,03% para 5,02%, ainda acima do teto da meta contínua perseguida pelo Banco Central. O IGP-M recuou de 4,54% para 4,47% e os preços administrados foram revisados de 4,93% para 4,91%, sinais consistentes de desaceleração nos componentes mais monitorados pelo Copom.
O PIB também perdeu força: a estimativa para 2026 caiu de 1,99% para 1,98% e a de 2027 recuou de 1,57% para 1,52%, na segunda semana seguida de revisão para baixo nesse horizonte. Para o Copom, esse é justamente o tipo de sinal que sustenta a tese de que a política monetária restritiva já está freando a atividade, o que abre espaço para o corte adicional embutido no Focus.
Esse tipo de reprecificação semanal costuma se refletir primeiro no câmbio, antes mesmo de aparecer nos ativos de renda fixa. Traders que acompanham o USD/BRL de perto podem monitorar o comportamento do par diretamente na página de forex da EBC, onde o USD/BRL está disponível como CFD.
No câmbio, o dólar operava nesta segunda-feira próximo de R$ 5,09, em leve alta ante o fechamento anterior de R$ 5,08, após o Ibovespa encerrar a sexta-feira em queda de 1,73%, aos 172.513 pontos, acumulando perda semanal de mais de 3%. O ambiente combina temporada de balanços, ruído eleitoral e a leitura de que o diferencial de juros entre Brasil e EUA segue sustentando o carry trade, mesmo com a Selic em trajetória de queda.
Nota técnica: em semanas de Boletim Focus e decisão de Copom, o volume nos primeiros minutos de pregão costuma distorcer os níveis técnicos de curto prazo. Suportes e resistências construídos em gráficos intraday têm validade limitada nesses dias e devem ser combinados com o calendário de indicadores, não usados isoladamente.
A próxima decisão de juros só acontece em 15 e 16 de setembro, quando o Copom vai avaliar o IPCA de agosto, a ata da reunião de agosto (divulgada na terça-feira seguinte ao corte) e o desenrolar da temporada de balanços do 2º trimestre. Até lá, o mercado deve seguir ajustando o Focus semana a semana, com atenção especial a qualquer sinal de desancoragem das expectativas de inflação para 2027 e 2028.
Se a inflação continuar recuando e a atividade seguir perdendo força, o Copom corta mais 0,25 ponto na penúltima reunião do ano, levando a Selic a 13,75%, em linha com o Focus atual.
Um IPCA de agosto ou setembro acima do esperado, ou piora do cenário fiscal em ano eleitoral, pode levar o Copom a manter a Selic em 14% até o fim do ano, adiando o corte para 2027.
Uma escalada relevante no Oriente Médio, com petróleo sustentado acima de US$ 90, ou uma retomada do aperto pelo Fed, pressionaria o câmbio e poderia interromper o ciclo de cortes brasileiro.
Para quem acompanha o mercado: em semanas de Boletim Focus, o câmbio costuma reagir antes dos demais ativos às mudanças de expectativa para a Selic. Traders que queiram acompanhar o USD/BRL e outros pares de moedas em tempo real, com spreads competitivos e execução rápida, podem conhecer a página de CFDs de forex da EBC.
O mercado reduziu a projeção de IPCA de 2026 de 5,03% para 5,02% e a de PIB de 1,99% para 1,98%. A Selic esperada para o fim do ano ficou estável em 13,75%, mesmo nível já projetado na semana anterior, antes da decisão do Copom.
O corte de 0,25 ponto em 5 de agosto já estava totalmente precificado pelo mercado. O Focus reflete a expectativa para o fim do ano, não a decisão pontual, e o comunicado mais cauteloso do Copom não foi suficiente para mudar a aposta em mais um corte até dezembro.
A próxima reunião está marcada para 15 e 16 de setembro de 2026. Antes disso, o mercado acompanha a ata da reunião de agosto e os próximos números de IPCA, que devem orientar o Boletim Focus nas semanas seguintes.
Juros mais baixos tendem a reduzir o retorno de novos títulos pós-fixados, mas ainda mantêm a renda fixa brasileira atrativa em termos reais, já que a Selic segue bem acima da inflação projetada. A decisão de alocação depende do perfil de cada investidor.
A revisão é gradual e, até aqui, condizente com o efeito esperado de uma Selic que passou a maior parte de 2025 em 15%. Para o Copom, essa desaceleração é parte do mecanismo de transmissão da política monetária, não necessariamente um sinal de risco maior.
O par tem reagido a cada rodada de Focus e às decisões do Copom, com a faixa entre R$ 5,00 e R$ 5,20 concentrando o interesse recente. Não é recomendação de investimento: qualquer operação deve considerar o perfil de risco e a gestão de capital do trader.
O Boletim Focus de 10 de agosto confirma um padrão que já vinha se desenhando havia semanas: inflação e PIB em revisão gradual para baixo, Selic terminal estável em 13,75% e câmbio ancorado em R$ 5,20. O corte do Copom para 14% foi absorvido sem sobressaltos, e o comunicado mais duro não foi suficiente para alterar a aposta em mais uma redução de 0,25 ponto até dezembro.
Para o investidor, a mensagem é de continuidade: o ciclo de afrouxamento segue em curso, mas no ritmo cauteloso que o Banco Central vem sinalizando desde março. A próxima reunião do Copom, em 15 e 16 de setembro, e os boletins Focus das próximas semanas devem confirmar, ou não, se novembro será de fato o mês do próximo corte.