Publicado em: 2026-01-10
A sexta-feira começa com os mercados da América Latina atravessados por dois vetores clássicos da região: o cenário externo e o ruído político local. Essa combinação tem impacto direto sobre o fluxo de capitais, moedas, bolsas e indicadores de risco. Não é um dia de apostas grandes, mas é um dia que diz muito sobre como o investidor está posicionado.

A espera por dados macroeconômicos dos Estados Unidos mantém o mercado em modo cautela. Não aquela cautela paralisante, mas a cautela de quem observa, ajusta e procura assimetria. Em mercados emergentes, esse comportamento costuma amplificar movimentos mesmo quando o noticiário parece morno.
No Brasil, o Ibovespa abre próximo dos 162 mil pontos, com desempenho estável e leve viés positivo. É um retrato fiel do momento: uma base doméstica ainda sustentada por commodities — minério de ferro, petróleo, energia e o setor agrícola — convivendo com a pressão de um fluxo externo mais seletivo. O índice não dispara, mas também não cede com facilidade.
No câmbio, o dólar opera ao redor de R$ 5.38. em leve queda no início da sessão. Esse movimento, embora discreto, é relevante. Um dólar menos forte ajuda a aliviar a pressão sobre ativos emergentes, reduz custo de capital e abre espaço para posições em moeda local. O euro, mais fraco no curto prazo, acompanha esse ambiente de menor aversão ao risco, típico de períodos em que a liquidez global ainda não fechou completamente.
Entre as moedas latino-americanas, o peso mexicano mostra fortalecimento recente, enquanto peso chileno e peso colombiano seguem apresentando tendência positiva em dias de melhor fluxo de risco. Não é coincidência. Em economias fortemente ligadas a recursos naturais, moedas tendem a responder rápido quando commodities sustentam preços e o mercado global não entra em modo defensivo.
Falando em commodities, elas continuam sendo o principal eixo de leitura da região. Mesmo sem cotações fechadas específicas no dia, o pano de fundo permanece claro. O petróleo voltou a subir no mercado internacional em meio a um ambiente geopolítico mais volátil. Metais como minério de ferro e cobre seguem no radar dos gestores, assim como o complexo agrícola, que continua oferecendo suporte relevante à balança comercial e à atividade regional.

Esse contexto mantém a América Latina no foco de quem busca exposição ao mundo real. Energia segue influenciando diretamente bolsas e moedas de países exportadores. Metais industriais acompanham de perto o sentimento global, reagindo rapidamente a qualquer mudança no apetite por risco. Já os agrícolas, que vinham fortes, continuam relevantes como componente estratégico de alocação.
No campo das alternativas, o mercado de criptoativos não traz novidades específicas no dia, mas a narrativa regional segue intacta. Cripto continua sendo utilizado como instrumento de diversificação e, em alguns casos, como proteção cambial. Em um ambiente de incertezas externas, muitos gestores latino-americanos usam esse mercado para balancear a exposição entre dólar e bolsa.
Diante desse cenário, a leitura de investimento para a região é bastante objetiva. As bolsas começam o dia estáveis, refletindo um fluxo cauteloso. O dólar próximo da estabilidade, ou levemente mais fraco frente ao real, abre espaço para ativos denominados em moeda local. O euro mais fraco sinaliza menor aversão ao risco no curto prazo. Moedas emergentes como MXN, CLP e COP seguem com suporte vindo das commodities. E os recursos naturais continuam no centro da alocação latino-americana.
É nesse ponto que surge a pergunta mais recorrente entre investidores: quais os melhores investimentos para 2026 na América Latina? A resposta passa menos por apostas pontuais e mais por estratégia. Ativos ligados a recursos naturais seguem fazendo sentido. Exposição seletiva em moedas com carry positivo continua no radar. E proteção parcial, via dólar ou instrumentos de hedge, permanece como gestão de risco, não como pessimismo.
O principal alerta segue sendo o cenário externo. O mercado global está em compasso de espera por dados macro dos Estados Unidos, e essa espera costuma amplificar movimentos em mercados emergentes simplesmente pela dinâmica de fluxo global.
Em resumo, a América Latina atravessa um dia de pouca direção externa, mas com mercados moderadamente firmes. Bolsas estáveis, câmbio um pouco mais aliviado e commodities mantendo protagonismo. Não é um dia de manchetes explosivas, mas é um dia que reforça uma velha verdade da região: entender o contexto continua sendo mais importante do que correr atrás do movimento.
Aviso: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não constitui (nem deve ser considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou de qualquer outra natureza que deva ser levado em consideração. Nenhuma opinião expressa neste material constitui uma recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento em particular seja adequado para qualquer pessoa específica.