Publicado em: 2026-02-27
A Rede D’Or reportou lucro líquido de R$ 1.2 bilhão no 4T25. avanço anual relevante, com expansão de receita impulsionada pela consolidação da SulAmérica e maior ocupação hospitalar. A receita consolidada superou R$ 12 bilhões no trimestre, com crescimento de dois dígitos, enquanto o Ebitda ajustado manteve margem robusta acima de 25%, sustentado por sinergias operacionais e diluição de custos fixos.

Apesar dos números absolutos elevados, RDOR3 registrou queda expressiva no pregão subsequente. O mercado reagiu à compressão marginal de margem na vertical de seguros, aumento da alavancagem e despesas financeiras mais altas. A combinação de integração em curso, pressão sobre sinistralidade e expectativa elevada já precificada explica a realização, mesmo diante de lucro recorde.
- Lucro líquido: R$ 1.2 bilhão no 4T25. com crescimento anual consistente.
- Receita consolidada: acima de R$ 12 bilhões, refletindo integração com SulAmérica e expansão orgânica.
- Ebitda ajustado: margem superior a 25%, porém com pressão na comparação trimestral.
- Alavancagem: dívida líquida/Ebitda ainda elevada após aquisição da seguradora.
- Sinergias esperadas: captura gradual via verticalização (hospital + plano de saúde).
- Ponto crítico: sinistralidade na operação de saúde e custo financeiro em ambiente de juros ainda restritivos.
o modelo verticalizado (hospital + operadora) altera a dinâmica de geração de caixa. Parte do lucro contábil é compensada por necessidade maior de capital de giro na seguradora, o que exige leitura atenta do fluxo de caixa operacional, não apenas do lucro líquido.
A consolidação da SulAmérica ampliou a base de beneficiários e elevou o ticket médio por paciente. O crescimento foi sustentado por:
- Maior ocupação hospitalar.
- Reajustes de planos corporativos.
- Expansão de unidades premium.
Entretanto, o trimestre mostrou que o ganho de escala ainda convive com custos médicos pressionados, especialmente em procedimentos de alta complexidade.
O lucro de R$ 1.2 bilhão indica resiliência operacional. Porém, investidores institucionais focaram em:
- Fluxo de caixa livre abaixo do potencial histórico.
- Maior despesa financeira.
- Necessidade de reduzir alavancagem antes de novos ciclos de expansão.
A estratégia da Rede D’Or combina hospitais de alta complexidade com operadora de saúde própria. Em tese, isso:
- Reduz conflito entre pagador e prestador.
- Aumenta previsibilidade de receita.
- Permite captura de sinergias médicas e administrativas.
- Integração cultural e tecnológica.
- Sinistralidade elevada reduzindo margem da seguradora.
- Maior sensibilidade a ciclos econômicos e desemprego.
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Observação estratégica: a desalavancagem será determinante para reprecificação positiva do múltiplo.
A queda das ações após o balanço reflete três fatores centrais:
1 - Expectativa alta já incorporada no preço.
2 - Margem da seguradora abaixo do potencial estrutural.
3 - Ambiente de juros ainda pressionando valuation de empresas alavancadas.
No curto prazo, o papel tende a oscilar conforme revisões de estimativas de Ebitda e projeções de sinergia.
No gráfico diário, RDOR3 mostrou perda de suporte relevante após divulgação dos números. O fluxo vendedor aumentou com volume acima da média, sinalizando saída tática de fundos.
- Pullback técnico: recuperação até média móvel curta antes de nova definição de tendência.
- Teste de suporte inferior: caso mercado reavalie risco de execução.
- Reversão estrutural: apenas com melhora clara em alavancagem e margem consolidada.
Para traders, volatilidade elevada favorece operações de curto prazo. Para investidores de longo prazo, o foco deve estar em:
- Redução gradual da dívida.
- Evolução da sinistralidade.
- Crescimento orgânico sem novas aquisições relevantes no curto prazo.

Sim. O lucro líquido atingiu R$ 1.2 bilhão, com crescimento anual consistente. O desempenho reflete expansão hospitalar e consolidação da SulAmérica, mas o mercado avaliou outros fatores além do lucro nominal.
A reação negativa decorreu de compressão marginal na operação de seguros, alavancagem elevada e expectativa já precificada. Investidores analisaram margem e fluxo de caixa, não apenas o lucro.
A integração avança, com sinergias potenciais relevantes. Contudo, a captura total dessas sinergias depende de controle de sinistralidade e eficiência operacional ao longo de 2026.
A alavancagem aumentou após a aquisição da seguradora. Embora administrável, exige disciplina financeira e geração consistente de caixa para reduzir o múltiplo dívida/Ebitda.
Depende do perfil. Para investidores de longo prazo, pode representar ponto de entrada se houver confiança na desalavancagem. Para traders, o papel oferece volatilidade interessante no curto prazo.
O 4T25 da Rede D’Or confirma capacidade operacional e escala relevante no setor hospitalar brasileiro. Contudo, o mercado atual prioriza qualidade de fluxo de caixa, desalavancagem e previsibilidade de margem, não apenas crescimento absoluto.
A verticalização via SulAmérica cria um modelo mais sofisticado e potencialmente resiliente, mas aumenta complexidade e sensibilidade à execução. O investidor que olhar exclusivamente para o lucro pode perder nuances importantes; o diferencial está na análise integrada de margem, dívida e geração de caixa.
Para 2026. os gatilhos decisivos serão: redução consistente da alavancagem, melhora estrutural da sinistralidade e manutenção de margens acima de 25%. Sem esses vetores, o múltiplo tende a permanecer pressionado. Com eles, RDOR3 pode retomar prêmio frente ao setor hospitalar.
Aviso: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não constitui (nem deve ser considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou de qualquer outra natureza que deva ser levado em consideração. Nenhuma opinião expressa neste material constitui uma recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento em particular seja adequado para qualquer pessoa específica.