Publicado em: 2026-03-19
A moeda oficial de Honduras é o lempira, identificado pelo símbolo L e pelo código ISO 4217 HNL. Em circulação desde 1931, o lempira substituiu o peso hondurenho e se tornou o único meio de pagamento de curso legal no país. Seu nome é uma homenagem ao cacique Lempira, líder do povo indígena lenca que ficou célebre por organizar a resistência contra os conquistadores espanhóis no século XVI e se tornou um dos maiores heróis nacionais de Honduras.
Cada lempira é dividido em 100 centavos, estrutura semelhante à do dólar americano e à do real brasileiro. O Banco Central de Honduras é a instituição responsável pela emissão da moeda, pela condução da política monetária do país e pelas intervenções no mercado cambial para preservar a estabilidade do lempira frente às principais divisas internacionais.
Para quem viaja a Honduras, realiza remessas internacionais ou simplesmente deseja entender melhor a economia da América Central, conhecer a história, as características e o comportamento cambial do lempira é o ponto de partida. Este artigo reúne as informações mais relevantes sobre a moeda hondurenha de forma clara e direta.

Antes de 1931, Honduras utilizava o peso hondurenho como moeda oficial, herança direta do sistema monetário espanhol implantado durante o período colonial. A substituição pelo lempira marcou um esforço de afirmação de identidade nacional, já que o novo nome não tinha nenhuma ligação com a tradição colonial europeia, mas sim com a resistência indígena que precedeu e acompanhou a colonização.
Lempira foi um cacique do povo lenca que, por volta de 1537, organizou uma coalizão de tribos para enfrentar militarmente os conquistadores espanhóis liderados por Pedro de Alvarado. Segundo os registros históricos, ele conseguiu unir cerca de 200 tribos e resistiu durante anos antes de ser morto em circunstâncias ainda debatidas pelos historiadores, possivelmente durante uma negociação de paz. Sua figura virou símbolo de coragem e independência e seu nome na língua lenca significa, aproximadamente, senhor das montanhas.
Essa escolha de nome para a moeda nacional não é apenas poética: ela reflete uma decisão política de conectar a identidade econômica do país à memória de resistência de seus povos originários. A imagem de Lempira estampa a nota de 1 lempira e as moedas de 20 e 50 centavos, mantendo sua presença viva no cotidiano financeiro dos hondurenhos até hoje.
O lempira circula em cédulas de oito denominações: 1, 2, 5, 10, 20, 50, 100 e 500 lempiras. Cada nota tem uma cor diferente, o que facilita a identificação rápida tanto para moradores quanto para visitantes estrangeiros. Os designs exibem personalidades históricas hondurenhas e paisagens naturais do país, funcionando também como um registro visual da cultura e da história nacional.
Em 2010, uma nota de 20 lempiras em polímero foi introduzida para comemorar o bicentenário da independência da América Central. Em 2021, o Banco Central lançou uma cédula de 200 lempiras comemorativa, também pela ocasião do bicentenário da independência hondurenha. Essa nota apresenta o Palácio de Governo de Comayagua em uma face e imagens da Reserva da Biosfera do Rio Plátano no verso.
As moedas, por sua vez, existem nas denominações de 5, 10, 20 e 50 centavos. Na prática, porém, o uso de moedas físicas em Honduras tornou-se bastante raro nos últimos anos. A maioria das transações cotidianas é realizada exclusivamente com cédulas, e o sistema de troco em centavos funciona cada vez mais de forma arredondada no comércio local.
Em março de 2026, a taxa de câmbio do lempira frente ao dólar americano estava em torno de 26,47 HNL por 1 USD, uma desvalorização de aproximadamente 3,6% nos últimos 12 meses. Esse movimento reflete a pressão contínua que o lempira vem sofrendo frente ao dólar nas últimas décadas: na segunda metade dos anos 1980, a taxa era de apenas 2 lempiras por dólar, o que ilustra a erosão significativa do poder de compra externo da moeda ao longo do tempo.
Frente ao real brasileiro, 1 lempira equivalia a cerca de 0,21 BRL no mesmo período, segundo dados da plataforma Dados Mundiais. Isso significa que 1 real compra aproximadamente 4,8 lempiras. Para quem viaja ao Brasil vindo de Honduras, o câmbio é desfavorável; para o brasileiro que visita Honduras, o poder de compra local é relativamente elevado.
É importante ressaltar que a cotação do lempira não flutua livremente como acontece com moedas de países com câmbio plenamente flutuante. O Banco Central de Honduras mantém uma política de câmbio administrado, com intervenções regulares para evitar oscilações bruscas. Isso dá ao lempira uma estabilidade aparente no curto prazo, mas não impede a desvalorização gradual observada ao longo dos anos em função da inflação e das condições estruturais da economia hondurenha.
A economia de Honduras é fortemente dependente de dois pilares externos: as exportações agrícolas e as remessas de emigrantes. O país é um dos maiores exportadores mundiais de café, banana, palmito e melão, e os preços dessas commodities nos mercados internacionais têm impacto direto sobre a entrada de divisas e, portanto, sobre a pressão cambial do lempira. Quando os preços do café ou da banana caem, a receita de exportação diminui e o lempira tende a perder valor.
As remessas enviadas por hondurenhos que vivem no exterior, especialmente nos Estados Unidos, representam uma das maiores fontes de entrada de dólares no país. Segundo estimativas recentes, as remessas correspondem a mais de 20% do PIB hondurenho, uma proporção entre as mais altas da América Central. Esse fluxo constante de divisas sustenta parcialmente a demanda interna e ajuda o Banco Central a manter as reservas internacionais necessárias para intervir no câmbio.
Fatores internos como inflação, instabilidade política, endividamento público e incerteza institucional também pesam sobre o lempira. Honduras enfrenta historicamente desafios relacionados à governança, à segurança pública e ao desenvolvimento de infraestrutura, o que limita a atração de investimento estrangeiro direto e reduz a capacidade do país de diversificar suas fontes de renda em moeda estrangeira. Esses fatores, combinados, explicam por que o lempira mantém uma tendência de desvalorização gradual frente ao dólar ao longo das décadas.

Para quem viaja a Honduras, o lempira é a moeda aceita em praticamente todo o território nacional. Em cidades como Tegucigalpa e San Pedro Sula, os dólares americanos também são aceitos em hotéis de grande porte, lojas turísticas e alguns restaurantes, mas o troco geralmente é dado em lempiras. Nas Ilhas da Baía, destino popular para mergulho com praias no Caribe, muitos estabelecimentos chegam a precificar seus serviços diretamente em dólares devido ao alto volume de turistas estrangeiros.
A dica mais importante ao trocar moeda é evitar os postos de câmbio em aeroportos e hotéis, que costumam praticar taxas menos favoráveis. Bancos locais e casas de câmbio fora dos pontos turísticos geralmente oferecem cotações melhores. O uso de caixas eletrônicos é uma alternativa prática, mas o Departamento de Estado americano alerta para o risco de crimes contra turistas em caixas eletrônicos em Honduras, recomendando cautela na escolha do local e do horário para saques.
Ao calcular gastos, vale lembrar que a gorjeta é um costume estabelecido em Honduras. Em restaurantes, a prática habitual é de 10% a 15% sobre o valor da conta, sendo que alguns estabelecimentos já incluem uma taxa de serviço automaticamente. Para camareiros de hotel, uma gorjeta de até 3 dólares por noite é considerada adequada. O pagamento de gorjetas em dinheiro, preferencialmente em lempiras, é sempre preferido pelos profissionais do setor de hospitalidade.
O lempira é muito mais do que a moeda oficial de Honduras: é um símbolo da identidade e da história de resistência do povo hondurenho, com raízes em uma das figuras mais emblemáticas da luta indígena contra a colonização espanhola. Desde sua introdução em 1931, a moeda passou por décadas de transformações econômicas, períodos de instabilidade e uma desvalorização gradual frente ao dólar, reflexo das estruturas e dos desafios de uma economia em desenvolvimento fortemente dependente de exportações agrícolas e remessas do exterior.
Conhecer a moeda de um país é uma forma de compreender também sua economia, sua história e sua posição no cenário global. Para viajantes, empreendedores ou simplesmente curiosos sobre a América Central, entender o lempira, sua cotação e os fatores que influenciam seu valor é um passo útil antes de qualquer contato mais próximo com Honduras.
O dólar americano é aceito em Honduras?
Sim, especialmente em hotéis, lojas turísticas e nas Ilhas da Baía. Porém, o lempira é a moeda oficial e obrigatória no comércio em geral. O troco costuma ser dado em lempiras.
Onde é possível trocar reais por lempiras antes de viajar para Honduras?
No Brasil, a conversão direta de reais para lempiras é rara. O caminho mais comum é converter reais em dólares no Brasil e trocar por lempiras ao chegar em Honduras.
O lempira tem câmbio fixo ou flutuante?
O lempira opera sob câmbio administrado pelo Banco Central de Honduras, com intervenções regulares para limitar oscilações bruscas. Não é câmbio fixo nem plenamente flutuante.
Qual é o maior valor de cédula do lempira em circulação?
A nota de maior valor em circulação regular é a de 500 lempiras. Existe também uma cédula comemorativa de 200 lempiras, lançada em 2021 pelo bicentenário da independência de Honduras.
Honduras já teve outra moeda antes do lempira?
Sim. Antes de 1931, Honduras utilizava o peso hondurenho, herança do sistema monetário colonial espanhol. O lempira substituiu o peso na paridade de 1 para 1.
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