Publicado em: 2026-06-09
O dólar hoje opera a R$ 5.190 na venda (11h15. 08/06/2026), com alta de 0.63% ante o real. O dólar encerrou a última sexta-feira (05/06) com valorização de 1.76%, a R$ 5.1555. Após o payroll de maio dos Estados Unidos registrar criação de 172 mil vagas não-agrícolas contra estimativa de 85 mil. Nesta segunda, o movimento segue pressionado pelo retorno da guerra no Oriente Médio após Israel atacar o complexo petroquímico de Mahshahr, no Irã. O mercado de câmbio no Brasil está no cruzamento de dois choques externos simultâneos.

O payroll forte eliminou de forma quase definitiva a probabilidade de corte de juros pelo Federal Reserve em junho. O mercado passou a precificar a possibilidade de uma alta de juros nos EUA ainda em 2026. com a probabilidade superando 50% segundo o CME FedWatch. Juros altos por mais tempo nos EUA fortalecem o dólar globalmente e encarecem o custo de carregar posições em ativos de economias emergentes como o Brasil. O real sente o impacto direto.
O relatório de emprego americano divulgado na sexta (05/06) mostrou criação de 172 mil vagas não-agrícolas em maio, mais do que o dobro da estimativa de consenso de 80 a 85 mil. A taxa de desemprego ficou estável em 4.3%. Os setores com mais contratações foram lazer e hospitalidade (70 mil vagas), governo local (55 mil) e saúde (35 mil). O número revisado de abril também foi ajustado para cima, para 115 mil vagas.
Para o Federal Reserve, o dado elimina qualquer argumento para flexibilizar a política monetária no curto prazo. A reunião do Fed de 16 e 17 de junho será a primeira sob o comando do novo presidente Kevin Warsh. Com payroll nesse nível, a probabilidade de manutenção dos juros é quase certa. O risco para os mercados é um tom hawkish que sinalize possível alta de juros ainda em 2026. O Índice do Dólar (DXY) reagiu com valorização imediata após a divulgação, arrastando o câmbio brasileiro junto.
| Indicador | Resultado | Expectativa | Reação do Mercado |
|---|---|---|---|
| Payroll maio (vagas criadas) | 172 mil | 80–85 mil | DXY sobe; dólar +1,76% no Brasil |
| Taxa de desemprego (maio) | 4,3% | 4,3% | Estável, sem sinal de recessão |
| Treasuries 2 anos (pós-payroll) | 4,14% | - | +10 bps; títulos sofreram queda |
| Prob. corte de juros em jun/26 | Mínima | - | Eliminada pelo dado de emprego |
| Prob. alta de juros em 2026 | > 50% | - | CME FedWatch após payroll |
Na manhã desta segunda (08/06), Israel confirmou o ataque ao complexo petroquímico de Mahshahr, no sudoeste do Irã. O movimento ocorre mesmo após o presidente Donald Trump ter declarado na Truth Social que "Israel e Irã estão procurando um cessar-fogo imediato". Os preços do petróleo operavam em alta no exterior, com a troca de ataques aumentando o risco de restrição dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por parcela relevante do comércio global de petróleo.
O contexto geopolítico mais amplo: desde fevereiro de 2026. Israel e os EUA lançaram ataques contra o Irã, o que resultou na escalada de tensões na região. Um cessar-fogo temporário mediado pelo Paquistão em abril durou semanas antes de se deteriorar. A retomada dos ataques coloca o petróleo como driver cambial: alta no barril pressiona a inflação global, mantém o Fed cauteloso e fortalece o dólar em escala global. Para o real, o efeito é duplo: juros americanos mais altos e aversão ao risco nos emergentes.

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda trouxe revisão relevante para a Selic. A estimativa mediana para o fim de 2026 passou de 13.25% para 13.50%, enquanto a projeção para o fim de 2027 subiu de 11.25% para 11.50%. A inflação medida pelo IPCA para 2026 foi ajustada de 5.09% para 5.11%. O crescimento do PIB para 2026 foi ligeiramente revisado para cima, de 1.90% para 1.91%.
A projeção mediana para o dólar no fim de 2026 recuou marginalmente de R$ 5.16 para R$ 5.15. sinalizando que os analistas ainda veem o câmbio relativamente ancorado apesar das pressões externas. A Selic em 14.50% ao ano permanece como o principal fator de atração de capital externo e de sustentação relativa do real. Mas o diferencial frente aos juros americanos se comprimiu após o payroll, reduzindo o colchão que protegia o câmbio em momentos de aversão ao risco.
Selic 2026: 13.50% ao ano (era 13.25%)
Selic 2027: 11.50% ao ano (era 11.25%)
IPCA 2026: 5.11% (era 5.09%)
PIB 2026: 1.91% (era 1.90%)
Dólar fim 2026: R$ 5.15 (era R$ 5.16)
O minidólar (WDON26) com vencimento em julho encerrou a sexta-feira (05/06) a 5.203.5 pontos, acumulando alta de 2.17% na sessão. No gráfico de 15 minutos, o ativo fechou acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, configuração que indica viés positivo de curto prazo. O IFR (14) encerrou em 62.61 pontos com trajetória ascendente que aproxima o oscilador de níveis elevados.
No gráfico diário, formou-se um forte candle comprador sinalizando retomada da força compradora após período de consolidação. O contrato voltou a negociar acima das médias de 9 e 21 períodos. Para continuidade da alta, será necessário romper a região de resistência entre 5.208 e 5.238.5 pontos com volume. Um rompimento consistente abre espaço para 5.313 pontos com extensão para 5.469 pontos como alvo de médio prazo.
| Nível Técnico | Faixa / Cotação | Leitura Técnica | Status |
|---|---|---|---|
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Resistência ampliada
Alvo de médio prazo em tendência de alta
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5.469,0 | Objetivo técnico superior enquanto o índice mantém estrutura altista. | Resistência |
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Resistência forte
Rompimento com volume abre caminho para 5.469
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5.303,0 | Principal barreira antes da retomada do movimento direcional. | Resistência |
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Resistência imediata (gráfico 15min)
Zona crítica para continuidade da alta de curto prazo
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5.208–5.220 | Região observada pelos traders intraday para confirmação do momentum. | Resistência |
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Cotação de fechamento (05/06)
Fechou acima das médias de 9 e 21 períodos
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5.203,5 | Referência principal para o comportamento recente do índice. | Atual |
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Suporte 1 (gráfico 15min)
Primeira defesa dos compradores em realização
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5.186–5.165 | Faixa de suporte de curto prazo observada pelo mercado. | Suporte |
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Suporte 2 (gráfico 15min)
Perda aumenta risco de correção mais profunda
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5.152–5.142 | Região técnica relevante para manutenção da estrutura de alta. | Suporte |
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Suporte diário
Perda abre espaço para 5.000 e 4.946 pontos
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5.115–5.029 | Última faixa de defesa antes de deterioração mais ampla do cenário. | Suporte |

Reunião do Fed (16 e 17 de junho):
Primeiro encontro sob o comando de Kevin Warsh. O tom do comunicado e as projeções de juros (dot plot) serão determinantes para o dólar global. Um Warsh hawkish reforça a alta do DXY; postura mais moderada abre janela de alívio.
Desdobramentos do conflito Israel–Irã:
O vaivém de ataques e negociações de cessar-fogo mantém o petróleo volátil. Nova escalada com fechamento do Estreito de Ormuz seria o cenário mais disruptivo para o câmbio brasileiro.
Inflação nos EUA (CPI de maio):
Dado previsto para antes da reunião do Fed. CPI acima do esperado combinado com payroll forte reforça o cenário hawkish e pressiona o real.
Fluxo cambial no Brasil:
Com Selic em 14.50% ao ano, o carry trade ainda é atrativo. O fluxo de capitais externos para títulos brasileiros continua sendo o principal amortecedor da pressão sobre o câmbio.
Focus semanal (próxima segunda):
Revisar se as expectativas de Selic e dólar continuam sendo ajustadas após o payroll e o cenário geopolítico.
Um payroll acima do esperado reduz as chances de corte de juros pelo Fed. Juros mais altos nos EUA fortalecem o dólar globalmente, aumentam o custo de oportunidade de ativos em emergentes e comprimem o diferencial de taxa que sustenta o fluxo de capital para o Brasil. O efeito chega ao real em horas.
O WDON26 é o contrato futuro do minidólar com vencimento em julho de 2026. negociado na B3. É o instrumento preferido de day traders pela liquidez e alavancagem. O dólar comercial é a taxa à vista usada em transações de importação, exportação e referência para câmbio. Futuros tendem a negociar com leve prêmio sobre o à vista.
Em cenário de escalada extrema, com fechamento do Estreito de Ormuz e choque no petróleo, o câmbio poderia ser testado a esses níveis. O Focus projeta R$ 5.15 para o fim do ano, mas projeções não consideram cisnes negros geopolíticos. O suporte estrutural do carry trade (Selic em 14.50%) mantém algum amortecimento.
Parcialmente. A Selic elevada mantém o carry trade atrativo e sustenta fluxo de capital externo para títulos brasileiros. Mas não é uma barreira absoluta: em momentos de forte aversão ao risco global, investidores saem de emergentes independentemente do diferencial de juros. O payroll forte comprime esse diferencial na margem.
O Focus é a mediana das projeções de analistas e instituições financeiras, um termômetro do consenso de mercado, não uma previsão garantida. Surpresas como o payroll desta semana e eventos geopolíticos podem desviar o câmbio significativamente dessas projeções em qualquer direção.
A reunião do Fed de 16 e 17 de junho é o evento mais relevante no horizonte. O CPI de maio dos EUA, previsto antes da reunião, também terá impacto. No Brasil, qualquer revisão do guidance fiscal ou sinalização do Copom sobre o ritmo de cortes futuros da Selic pode mover o câmbio com força.
O dólar desta segunda (08/06) opera no cruzamento de dois vetores que raramente se combinam com tanta intensidade: um payroll americano que mais do que dobrou as expectativas, eliminando qualquer janela para corte de juros nos EUA em junho, e um conflito no Oriente Médio que voltou a se intensificar com ataques israelenses ao Irã mesmo diante de sinalizações de cessar-fogo por Trump.
Para o WDON26. o viés permanece comprador acima de 5.165. O rompimento de 5.208–5.220 com volume é a confirmação técnica que os compradores precisam para buscar 5.303 e, em cenário de continuidade, 5.469 pontos. A manutenção do suporte em 5.165 é a linha que separa o cenário de alta do cenário de realização.
No fundamentalismo, o diferencial Selic–Fed ainda sustenta o real na comparação global de emergentes. Mas o payroll de maio encurtou esse diferencial na percepção do mercado. A reunião do Fed de 16 e 17 de junho, a primeira com Kevin Warsh no comando, é o próximo catalisador que definirá se o dólar mantém esse nível ou acelera em direção a R$ 5.30.