Publicado em: 2026-07-10
Atualizado em: 2026-07-10
Na quinta-feira (02/07), o Departamento do Trabalho dos EUA divulgou o payroll de junho com apenas 57 mil vagas criadas, praticamente a metade da mediana de mercado de 113 mil. A taxa de desemprego caiu para 4,2%, mas por um motivo que preocupa mais do que anima: a força de trabalho encolheu 720 mil pessoas no mês, e a participação caiu à mínima desde março de 2021.
Apesar do dado fraco, o USD/CHF não desabou. O par segue negociado acima de 0,80, sustentado por fluxo de proteção após os ataques aéreos entre EUA e Irã e pela disparada do petróleo. Agora, a atenção do mercado vira integralmente para o CPI de junho, que sai na terça-feira (14/07) às 8h30 (horário de Nova York) e pode confirmar ou derrubar esse suporte.
O número de 57 mil vagas quebrou uma sequência de meses em que o payroll surpreendia para cima. A média do primeiro semestre de 2026 caiu para 92 mil vagas por mês, e as revisões de abril e maio tiraram mais 74 mil postos do total já divulgado.
O dado mais desconfortável está escondido atrás da taxa de desemprego. Desde janeiro, o levantamento domiciliar mostra 833 mil pessoas a menos empregadas, enquanto o levantamento de folhas de pagamento aponta alta de 392 mil postos no mesmo período. As duas pesquisas estão divergindo, e isso é sinal de ruído nos dados, não de solidez.
Ainda assim, o dólar não sofreu o tombo que um payroll fraco normalmente provocaria. A razão é geopolítica: a escalada entre EUA e Irã, com o fim do cessar-fogo declarado pelo governo americano, elevou o petróleo e trouxe fluxo de proteção para o dólar, compensando parte da fraqueza vinda do mercado de trabalho.
Do lado suíço, o Banco Nacional (SNB) manteve a taxa básica em 0% e segue apoiado em intervenções cambiais para conter uma valorização excessiva do franco. A inflação suíça desacelerou a 0,5% em junho, a primeira queda em oito meses, dentro da meta de 0% a 2% do banco central.
O desemprego na Suíça caiu para 2,9%, mínima em sete meses. Com inflação controlada e mercado de trabalho apertado, o SNB não tem pressa para agir, o que retira parte do apelo do franco como alternativa de rendimento frente ao dólar.
No técnico, o par formou um golden cross em junho, com a média móvel de 50 dias cruzando acima da de 200 dias, estrutura que costuma indicar viés de alta de médio prazo. O payroll fraco interrompeu essa força nos últimos dias, mas não desfez o desenho técnico de fundo.
O CPI de maio, divulgado em 10 de junho, acelerou para 4,2% ao ano, contra 3,8% no mês anterior. Foi a maior leitura em mais de um ano, e reacendeu o debate sobre quanto tempo o Fed pode esperar antes de voltar a cortar juros.
Agora é a vez do dado de junho, que sai terça-feira (14/07) às 8h30 (ET). O mercado historicamente reage nos primeiros 30 a 90 segundos após a divulgação, e o resultado deve definir o próximo movimento do USD/CHF com mais força do que qualquer outro evento da semana.
Os dois cenários abaixo não são recomendação de posicionamento, apenas a leitura do que cada resultado tende a provocar no mercado, com base no comportamento histórico do par a eventos de inflação.
Para o trader: a divergência entre as duas pesquisas de emprego (domiciliar e de folhas de pagamento) tende a deixar o mercado mais sensível ao componente de núcleo do CPI do que ao índice cheio, já que ele reflete melhor a tendência de fundo da inflação.
Com o par fechando a 0,8068 na última sessão (09/07), a estrutura técnica ainda favorece o campo comprador de médio prazo, mas a proximidade do CPI reduz a confiabilidade de qualquer rompimento antes da terça-feira.
Porque a escalada entre EUA e Irã elevou o petróleo e gerou fluxo de proteção para o dólar, compensando parte do efeito negativo do payroll. O franco, apesar de ser porto seguro, também perdeu força relativa nesse cenário específico de conflito.
Foram criadas 57 mil vagas, contra expectativa de 113 mil. Mais grave que o número em si foi a queda de 720 mil pessoas na força de trabalho, que derrubou artificialmente a taxa de desemprego para 4,2%.
O CPI de junho sai terça-feira, 14 de julho, às 8h30 (horário de Nova York). Ele importa porque o CPI de maio acelerou para 4,2% ao ano, e o mercado precisa saber se essa aceleração é uma tendência ou um ponto fora da curva.
Historicamente sim. Um CPI acima do esperado reduz a chance de corte de juros do Fed no curto prazo, o que tende a fortalecer o dólar frente ao franco e pode levar o par a testar a resistência em 0,8140.
Um CPI mais fraco reabriria espaço para o mercado voltar a precificar corte de juros ainda em 2026, o que tende a pressionar o dólar e levar o USD/CHF a testar o suporte estrutural em 0,7920.
O SNB mantém intervenções cambiais ativas justamente para conter uma valorização excessiva do franco, que prejudicaria as exportações suíças. Isso limita o potencial de alta do CHF mesmo em momentos de aversão a risco global.
O USD/BRL opera hoje próximo de R$ 5,12. Como o payroll fraco pressiona o dólar globalmente, o CPI de terça também deve influenciar o câmbio no Brasil, embora fatores locais como Selic e fiscal continuem pesando mais no real.
A faixa entre 0,7990 e 0,8090 é a zona neutra até a terça-feira. A perda do piso de 0,7920, que coincide com a média móvel de 200 dias, é o nível que colocaria em xeque a estrutura de alta formada em junho.
O payroll fraco de junho expôs uma divergência real entre as duas pesquisas de emprego dos EUA, e o mercado ainda não decidiu qual delas seguir. O USD/CHF resistiu por enquanto, sustentado por um fator externo à economia americana: a tensão entre EUA e Irã.
Essa sustentação é frágil porque depende de um fator geopolítico, não de dados econômicos. O CPI de terça-feira (14/07) é o próximo teste real, e o resultado deve definir se o par mantém o viés de alta do golden cross ou passa a testar o suporte estrutural em 0,7920.
Para o trader, os próximos catalisadores já estão marcados: CPI de junho em 14/07, e o próximo payroll, referente a julho, sai em 7 de agosto. Até lá, o USD/CHF deve seguir reagindo mais a manchetes geopolíticas do que a fundamentos puros.