Publicado em: 2026-09-16
Atualizado em: 2026-09-16
O bitcoin caindo nesta quarta (16 de setembro de 2026) é reflexo direto do que aconteceu na tarde de terça (15) em Washington. O Senado dos Estados Unidos não reuniu os 60 votos necessários para avançar o Clarity Act, projeto que criaria um marco regulatório para os criptoativos no país. Logo após a votação, o bitcoin tocou a região de US$ 75.600 e, na manhã desta quarta, seguia perto de US$ 76 mil.
A frustração regulatória se somou a um ambiente macroeconômico já pesado, com o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano em 5,04%, o maior nível desde julho de 2007. Hoje, o mercado ainda aguarda a decisão de juros do Federal Reserve, que pode ampliar ou aliviar a pressão sobre os ativos de risco.

A queda desta quarta é, em grande parte, a continuação do movimento da véspera. Na terça, o bitcoin chegou a negociar a US$ 77.200 pouco antes do início da votação. Quando o placar de votos contrários ficou claro, o preço recuou de cerca de US$ 76.900 para a mínima próxima de US$ 75.600 em aproximadamente dez minutos. No acumulado do dia, a perda chegou perto de 4%.
O impacto foi além da maior criptomoeda. O mercado de criptoativos como um todo perdeu quase 3% e ações de empresas do setor sofreram mais: a Coinbase caiu cerca de 8% e a Circle, emissora de stablecoin, recuou perto de 10%. Para quem acompanha o ciclo de quedas do bitcoin em 2026, o episódio se soma a uma sequência de correções que já afastou o preço dos recordes do ano passado.
O dado mais recente sobre fluxo institucional ainda era positivo antes da votação. Na segunda (14), os ETFs de bitcoin à vista dos Estados Unidos registraram entrada líquida de US$ 159,9 milhões, interrompendo quatro pregões seguidos de saídas. Esse tipo de dado costuma ser acompanhado de perto para medir se o recuo atual atrai compradores ou provoca novos resgates.
O Clarity Act define como os ativos digitais seriam supervisionados nos Estados Unidos. A principal mudança é a divisão de responsabilidades entre a SEC, que regula valores mobiliários, e a CFTC, que supervisiona derivativos e commodities. Na prática, o texto indicaria quais tokens seriam tratados como valores mobiliários e quais seriam considerados commodities digitais.
A votação de terça não era a aprovação final da lei. Foi uma votação de cloture, o teste procedimental que decide se um projeto pode seguir para debate no plenário. Para isso, são necessários 60 votos entre os 100 senadores, o que exige apoio dos dois partidos. O resultado ficou em torno de 50 votos favoráveis, bem abaixo do mínimo exigido.
Com isso, o texto fica parado no Congresso depois de meses de negociação. Nos mercados de previsão, a probabilidade de o Clarity Act virar lei ainda em 2026 caiu para cerca de 17%. Mesmo sem a nova legislação, as empresas americanas continuam operando sob as regras atuais da SEC e da CFTC, o que reduz o risco de ruptura imediata, mas prolonga a incerteza jurídica que o setor tentava resolver.
O segundo vetor de queda vem dos juros. O rendimento do Treasury de 10 anos chegou a 5,04%, patamar que não era visto desde julho de 2007. A alta reflete preocupações com inflação, com o petróleo elevado por causa das tensões no Oriente Médio e com a situação fiscal dos Estados Unidos.
A lógica é de custo de oportunidade. Quando um investidor consegue receber mais de 5% ao ano em um título considerado de baixíssimo risco, manter ativos voláteis e sem fluxo de renda fica menos atraente. Juros mais altos também encarecem posições alavancadas, comuns no mercado de criptoativos, o que acelera liquidações em dias de queda. Entender como a taxa de juros americana impacta o mercado financeiro ajuda a separar o que é específico do bitcoin do que afeta todos os ativos de risco.
Essa pressão ficou visível também nas bolsas americanas, que recuaram junto com as criptomoedas na terça, com o Nasdaq entre os índices mais afetados. Traders que querem acompanhar esse mesmo vetor de juros e apetite por risco por meio do setor de tecnologia podem consultar as especificações do NASUSD na página de índices da EBC.
O Federal Reserve anuncia nesta quarta a decisão sobre os juros americanos, hoje na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Levantamentos citados pela imprensa americana apontavam alta probabilidade de elevação de 0,25 ponto, o que levaria a taxa para a faixa de 3,75% a 4%. Uma alta confirmada e já precificada pode ter efeito limitado, mas um comunicado indicando novos aumentos tende a reforçar a pressão sobre o bitcoin.
O cenário oposto também existe. Se o Fed sinalizar cautela diante do enfraquecimento da economia, os rendimentos dos Treasuries podem recuar e devolver parte do apetite por risco. Por isso, as decisões do Fed costumam provocar oscilações bruscas nas criptomoedas nas horas seguintes ao anúncio, e o tom da entrevista coletiva pesa tanto quanto a taxa definida.
Na análise técnica, o bitcoin segue pressionado depois de não conseguir se sustentar acima de US$ 79 mil. A faixa entre US$ 75.500 e US$ 76 mil aparece como a principal região de suporte no curto prazo, justamente a zona testada logo após a votação. A perda desse intervalo poderia abrir espaço para novas quedas, enquanto a retomada de US$ 79 mil seria o primeiro sinal de recuperação.

Vale lembrar que o pico de setembro ficou perto de US$ 82 mil, o que mostra a velocidade da correção em poucos dias. Para quem avalia se vale a pena comprar bitcoin nesse contexto, a volatilidade atual reforça a importância de definir tamanho de posição e horizonte antes de qualquer decisão.
O bitcoin caindo nesta quarta resulta da combinação entre o travamento do Clarity Act no Senado e os Treasuries no maior nível em quase duas décadas. No curto prazo, o comportamento do BTC deve seguir sensível a três fatores: a decisão e o tom do Fed, a trajetória dos juros longos americanos e a defesa do suporte entre US$ 75.500 e US$ 76 mil.
Para traders que acompanham o bitcoin como termômetro do apetite por risco e querem exposição ao mesmo ambiente de juros americanos por meio das bolsas, os CFDs de índices da EBC incluem SPXUSD e NASUSD, com acesso à liquidez institucional via MT4, MT5 ou o app da EBC. Movimentos de juros podem gerar oscilações rápidas nos índices, por isso a gestão de risco pesa tanto quanto a leitura do cenário. Veja as condições atuais na página de CFDs de índices da EBC.
Pode, se houver novo acordo, mas restavam cerca de 22 dias úteis no calendário do Senado antes de as campanhas de meio de mandato dominarem a agenda.
São criptomoedas atreladas a um ativo de referência, geralmente o dólar, que buscam manter preço estável e servem de ponte entre moeda tradicional e cripto.
A oferta máxima é de 21 milhões de unidades. Mais de 20 milhões já foram mineradas, o que deixa menos de 1 milhão para ser emitido nas próximas décadas.
O recorde nominal foi registrado em 6 de outubro de 2025, perto de US$ 126 mil. Desde então, o ativo acumula forte correção.
Criptoativos entram na ficha de bens e direitos, no grupo 08, pelo custo de aquisição, com código específico para bitcoin.