Publicado em: 2026-07-22
Atualizado em: 2026-07-22
A 3M abriu o pregão desta terça-feira (21) em disparada. A ação subia cerca de 8% depois que a empresa reportou lucro por ação ajustado de US$ 2,40 no segundo trimestre, acima da estimativa de US$ 2,27, e elevou o guidance de lucro para o ano inteiro. O papel se aproximou da máxima histórica de fechamento, batida em fevereiro deste ano.

O resultado confirma a leitura que analistas vinham fazendo nas últimas semanas: o plano de reestruturação conduzido pelo CEO William Brown está se traduzindo em expansão de margem consistente, não apenas em corte de custos pontual. A margem operacional ajustada chegou a 24,9% no trimestre, avanço de 40 pontos-base sobre um ano antes, mesmo com a receita crescendo acima do esperado pelo mercado.
Para o investidor brasileiro, o movimento importa em dois níveis. No mercado americano, a MMM negocia diretamente na NYSE. Na B3, o mesmo negócio pode ser acessado via BDR sob o código MMMC34, com paridade de uma ação para quatro BDRs. Nas próximas seções, os números do balanço, os alvos de preço atualizados por Wall Street e os níveis técnicos que o trader deve acompanhar.
O trimestre marcou o segundo resultado consecutivo em que a 3M supera a expectativa de lucro e de receita ao mesmo tempo, algo que não acontecia com regularidade desde o início do turnaround em 2024. O lucro líquido GAAP somou US$ 933 milhões, ou US$ 1,78 por ação, ante US$ 723 milhões um ano antes. Já o EPS ajustado, métrica acompanhada de perto pelo mercado, cresceu 11% na comparação anual.
A receita adjusted total cresceu mais de 4,5%, com crescimento orgânico acima de 3,5%. Em nota, o CEO William Brown atribuiu o desempenho à execução das prioridades estratégicas da companhia e disse que a 3M está construindo uma empresa com performance mais alta. Ele também citou o avanço de dois dígitos no lucro por ação como evidência de que o processo de reestruturação está amadurecendo.
O ponto que mais chamou atenção de analistas não foi o resultado do trimestre em si, mas a decisão de elevar a projeção para o ano inteiro logo no meio do ano. A 3M passou a projetar EPS ajustado entre US$ 8,80 e US$ 8,95 para 2026, faixa anterior era de US$ 8,50 a US$ 8,70. A companhia também elevou a expectativa de expansão de margem operacional ajustada para 70 a 80 pontos-base no ano.
Elevar guidance no meio do ano costuma ser lido pelo mercado como sinal de confiança de que o resultado forte não foi um evento isolado. Analistas do ChartMill destacaram justamente esse ponto: a disposição da diretoria em revisar a projeção para cima sugere que a companhia espera continuar superando as estimativas atuais de consenso pelo restante do ano.
Contexto do turnaround: a 3M vem de um processo de reestruturação iniciado em 2024, marcado por corte de custos, simplificação de portfólio e disciplina de precificação. O resultado do 2T26 é o mais forte desde então em termos de aceleração simultânea de receita e margem.
Nos dias que antecederam o balanço, o movimento de casas de análise já apontava para uma mudança de tom. A JPMorgan elevou a recomendação de neutra para overweight, com preço-alvo de US$ 180, citando a demanda de inteligência artificial e data centers como vetor de crescimento para parte do portfólio industrial da 3M. Goldman Sachs e Wolfe Research também revisaram seus alvos para cima, para US$ 190 e US$ 189, respectivamente.
Nem todo o mercado está alinhado. RBC Capital mantém recomendação underperform com alvo de US$ 123, e a Bernstein também está em underperform, com alvo de US$ 131, citando fragilidade estrutural em pesquisa e desenvolvimento e o risco represado das ações judiciais ligadas a PFAS. A dispersão entre US$ 123 e US$ 190 mostra que a tese de investimento na 3M ainda divide opiniões, mesmo após dois trimestres seguidos de superação de expectativas.
O principal risco segue sendo o litígio ambiental ligado a PFAS, os chamados "químicos eternos". A Procuradoria-Geral do estado de Nova York processou recentemente a 3M e outras companhias químicas e agrícolas por contaminação, em uma ação que se soma a processos já em andamento em outras jurisdições. O desfecho financeiro desses processos segue incerto e pode pressionar o caixa da companhia nos próximos anos.
Passivo de PFAS ainda não totalmente precificado pelo mercado, com novos processos surgindo ao longo de 2026.
Valuation já elevado: a ação negocia a P/L acima de 30x, próximo do topo da própria série histórica recente.
Dependência de segmentos cíclicos como Transportation and Electronics, sensíveis a desaceleração industrial global.
Consenso de analistas ainda dividido, com recomendações que vão de underperform a buy.
Com o gap de alta desta terça, a MMM saiu do fechamento anterior de US$ 159,84 e passou a operar perto de US$ 172, região que coincide com a máxima histórica de fechamento do papel, batida em 12 de fevereiro de 2026. A proximidade com esse teto torna a sessão de hoje um teste técnico relevante para quem acompanha o ativo.
Leitura objetiva: o rompimento da máxima histórica de fechamento, em US$ 172,94, com volume consistente, validaria a continuidade do movimento e abriria caminho para a resistência de 52 semanas em US$ 177,41. Uma reação vendedora nessa região, por outro lado, devolveria o papel para o suporte próximo de US$ 159,84, que corresponde ao patamar de preço anterior à divulgação do balanço.
Sem fazer chamada direcional, três cenários organizam como a tese pode evoluir a partir daqui. Cada um depende de variáveis específicas que o investidor pode acompanhar nos próximos trimestres.
O investidor brasileiro tem duas portas de acesso à 3M. A primeira é a compra direta da ação MMM na NYSE, via corretora com acesso ao mercado americano. A segunda é o BDR MMMC34, negociado na B3, com paridade de uma ação da 3M para quatro BDRs. Antes de decidir, vale conferir a cotação em tempo real na sua corretora, já que o preço do BDR reflete tanto a cotação da MMM em dólar quanto a taxa de câmbio do dia.
A 3M superou as estimativas de lucro e receita do 2T26 e elevou o guidance de EPS para 2026, de US$ 8,50–8,70 para US$ 8,80–8,95. O mercado reagiu à combinação de crescimento acima do esperado com expansão de margem, sinal de que o turnaround da empresa está avançando de forma consistente.
EPS ajustado de US$ 2,40, acima da estimativa de US$ 2,27. Receita de US$ 6,5 bilhões, também acima do consenso. Margem operacional ajustada de 24,9%, alta de 40 pontos-base sobre um ano antes. O lucro líquido GAAP somou US$ 933 milhões, contra US$ 723 milhões no mesmo trimestre de 2025.
A companhia elevou a projeção de EPS ajustado para a faixa de US$ 8,80 a US$ 8,95, ante US$ 8,50 a US$ 8,70 anteriormente. Também passou a esperar expansão de margem operacional ajustada de 70 a 80 pontos-base no ano, acima da projeção anterior.
Existem duas vias. A compra direta da MMM na NYSE, via corretora com acesso ao mercado americano, ou o BDR MMMC34 na B3, com paridade de uma ação para quatro BDRs. A escolha depende do perfil do investidor e da exposição cambial desejada.
O litígio ambiental relacionado a PFAS segue como o maior risco não totalmente precificado, incluindo uma ação movida recentemente pela Procuradoria-Geral de Nova York. Some-se a isso um valuation já elevado, com P/L acima de 30x, e a exposição a segmentos industriais cíclicos.
A ação está próxima da máxima histórica de fechamento, o que exige cautela técnica para novas entradas. Casas de análise têm alvos que vão de US$ 123 a US$ 190. Este não é um conselho de investimento; avalie com seu assessor se o momento e o preço se encaixam no seu perfil de risco.
O balanço do 2T26 entregou o que o mercado queria ver: lucro e receita acima do consenso, margem em expansão e guidance revisado para cima no meio do ano. A reação de quase 8% no pregão de hoje reflete a confirmação de que o processo de reestruturação conduzido por William Brown está gerando resultado mensurável, não apenas promessa.
Para o investidor, a atenção agora se volta para dois pontos: o comportamento do papel diante da resistência histórica em US$ 172,94 e US$ 177,41, e o desenrolar dos processos ligados a PFAS, que seguem como a principal variável de risco não totalmente precificada pelo mercado. O próximo resultado trimestral deve confirmar se o ritmo de aceleração se mantém.