Publicado em: 2026-05-14
O Grupo Toky, controlador das redes Tok&Stok e Mobly, protocolou recuperação judicial nesta terça-feira (12) na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O processo corre sob segredo de justiça e envolve dívidas de R$ 1.12 bilhão. O conselho autorizou a medida em caráter de urgência na segunda-feira (11), um dia após a SPX Capital anunciar a venda total de sua participação. A TOKY3 fechou em queda de 41.38%, a R$ 0.17. mínima histórica. Um ano atrás, o mesmo papel valia R$ 1.00.

O caso do Grupo Toky não é exceção. É o capítulo mais recente de uma crise estrutural que está redesenhando o mapa empresarial brasileiro. Ao final de 2025. o país registrou 5.680 empresas em recuperação judicial, recorde absoluto da série histórica, segundo a RGF & Associados. Na crise de 2016 foram 1.800. Na pandemia de 2020. 1.200. A combinação de Selic a 14.5%, famílias superendividadas e crédito seletivo está quebrando empresas de todos os setores, e 2026 já acumula uma fila de nomes que o mercado acompanha com crescente preocupação.
Fato relevante à CVM: "Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando." Principais credores: Banco do Brasil, Santander e Bradesco.
1978 - Tok&Stok é fundada.
Casal francês Régis e Ghislaine Dubrule funda a marca em São Paulo. Vira referência em decoração para a classe média por décadas.
2012 - Fundo Carlyle compra o controle por R$ 700 milhões.
Fundadores permanecem como acionistas minoritários.
2021 - Mobly abre capital na B3.
IPO capta recursos. Ação chega a valer mais de R$ 10.
Ago/2024 - Tok&Stok pede recuperação extrajudicial.
Dívida estimada em R$ 450 mi. Homologada pela 2ª Vara de Falências de SP em novembro de 2024.
2024 - Mobly compra a Tok&Stok em troca de ações. Nasce o Grupo Toky (TOKY3).
Alavancagem chega a 16x o EBITDA no momento da fusão.
Dez/2025 - Conversão de dívida da SPX gera investigação da CVM.
Fundo DeLorean valoriza de R$ 36 mil para R$ 17.65 milhões em 48 horas.
Jan/2026 - Debêntures prorrogadas para junho de 2026.
Dívida líquida fecha 2025 em R$ 401 milhões. Grupo tenta ganhar tempo.
11/05/2026 - SPX vende todas as ações e conselheiro renuncia.
Sinal de saída organizada antes do pedido de RJ.
12/05/2026 - RJ protocolada. TOKY3 cai 41.38% para R$ 0.17.
Dívida declarada: R$ 1.12 bilhão. Processo em segredo de justiça.
[RJ] Grupo Toky (Tok&Stok + Mobly) - TOKY3
Maior varejista de móveis do país. Dívida de R$ 1.12 bi. Ação caiu 41% em 12/05/2026.
[RJ] Bombril
Ícone do varejo doméstico. Endividamento agravado pelo ciclo de juros altos e perda de market share.
[RE] GPA - Grupo Pão de Açúcar
Maior rede de supermercados do país aciona mecanismo extrajudicial para renegociar dívidas bilionárias.
[Maior RE do Brasil] Raízen
Recuperação extrajudicial de R$ 65.1 bilhões. Maior operação do tipo na história do país, superando em 5x a da Intercement.
Por que está acontecendo: Selic a 14,5% encarece crédito, comprime margens e inviabiliza rolagem de dívidas. Famílias com 8,7 milhões de CNPJs inadimplentes reduzem o consumo. O varejo de alto ticket com móveis e decoração é o mais sensível a esse ciclo.
Com a ação a R$ 0.17 após cair 41% no dia, a TOKY3 opera no menor patamar de sua história. O movimento não é de correção: é de ruptura estrutural. Não há suporte técnico relevante abaixo do preço atual, pois a ação já perfurou todos os níveis históricos. Operações especulativas nesse tipo de ativo dependem exclusivamente do desfecho jurídico, não de análise gráfica.
Resistência 2 - patamar há um ano: R$ 1.00
Queda de 83% desde esse nível.
Resistência 1 - início de 2026: R$ 0.50 - R$ 0.60
Nível pré-espiral de queda. Distante 250% do preço atual.
Cotação atual - fechamento 12/05: R$ 0.17
Mínima histórica. -41% no dia do pedido de RJ.

Recuperação judicial é quando a empresa vai à justiça, congela as cobranças por 180 dias e tenta renegociar dívidas para continuar operando. Não significa fechamento imediato. Em 2025. 71% das empresas em RJ retomaram as atividades. As lojas Tok&Stok seguem abertas durante o processo.
A dívida declarada é de R$ 1.12 bilhão, incluindo dívidas entre empresas do grupo, fornecedores e financeiras. Os principais credores financeiros são Banco do Brasil, Santander e Bradesco. Adicionalmente, R$ 77 milhões em recebíveis de cartão foram bloqueados pela SRM Bank.
O mercado precificou o risco máximo: em uma RJ, os acionistas são os últimos da fila de credores. Se o plano não for aprovado e a empresa for à falência, os acionistas ficam sem nada. A queda de 41% reflete a probabilidade elevada de diluição ou perda total do capital investido.
É uma operação altamente especulativa. O papel pode subir se um plano de recuperação crível for aprovado, mas pode ir a zero se a empresa não sobreviver. Ações de empresas em RJ dependem exclusivamente do desfecho jurídico. Não é recomendação de investimento.
Sim. O Brasil encerrou 2025 com 5.680 empresas em RJ, recorde absoluto. Na crise de 2016 foram 1.800 e na pandemia de 2020 foram 1.200. O nível atual é quase 5 vezes maior do que no pior momento da pandemia, segundo dados da RGF & Associados.
O juiz precisa deferir o pedido, congelando as cobranças por 180 dias. Em seguida, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação. Os credores votam o plano em assembleia com maioria qualificada. O plano definirá as chances reais de sobrevivência do grupo.
A combinação é letal: Selic a 14.5% inviabiliza rolagem de dívidas, as famílias estão superendividadas e consomem menos bens de alto ticket, e o crédito está mais seletivo. Empresas que sobreviveram no vermelho nos últimos anos estão chegando ao limite do refinanciamento.
A CVM já investigava o grupo por operação anterior com o fundo DeLorean. A venda da SPX em 11/05. um dia antes do anúncio da RJ, é um timing sensível que provavelmente será analisado pelo regulador. A configuração de insider trading depende da investigação formal.
O pedido de recuperação judicial do Grupo Toky é simultaneamente um caso corporativo e um sintoma macroeconômico. A fusão entre Mobly e Tok&Stok foi uma aposta ousada para resolver uma crise com outra empresa em dificuldade, em um ambiente de juros altos que não perdoa alavancagem excessiva. O resultado: 16x EBITDA de dívida no momento da fusão virou R$ 1.12 bilhão declarado em RJ menos de dois anos depois. Para o trader, a TOKY3 a R$ 0.17 não é oportunidade técnica: é território de especulação pura que depende de um plano de recuperação que o mercado ainda não viu. Para o investidor, o caso reforça o que o cenário nacional já grita: Selic a 14.5% com famílias endividadas quebra varejistas que dependem de crédito e consumo de alto ticket. O próximo catalisador a monitorar é o deferimento do juiz e o plano de recuperação a ser apresentado em até 60 dias.