O mercado financeiro ignorou as small caps por meses. Agora XP, Santander e BTG estão entrando em silêncio antes do gatilho
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O mercado financeiro ignorou as small caps por meses. Agora XP, Santander e BTG estão entrando em silêncio antes do gatilho

Publicado em: 2026-05-09

Em abril, o SMLL caiu 3.16% enquanto o Ibovespa avançou 0.64%. No acumulado do ano, o índice de small caps sobe apenas 2.68% contra 16.26% do Ibovespa. O descolamento entre os dois índices está no maior nível em mais de duas décadas. E foi exatamente nesse ambiente que XP, Santander, BTG e Safra atualizaram suas carteiras recomendadas de small caps para maio, com mudanças cirúrgicas e teses específicas por empresa. O mercado institucional não espera o gatilho para se posicionar. Ele se posiciona antes.


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O argumento central das casas de análise é consistente: as small caps negociam a múltiplos descontados em relação à média histórica, o ciclo de queda da Selic já começou e empresas com baixa alavancagem e boa geração de caixa tendem a reagir com força quando o fluxo de capital volta para o segmento. O que muda de uma casa para outra é a seleção de quais empresas têm a melhor assimetria para capturar esse movimento, e é aí que as carteiras de maio revelam o pensamento do mercado institucional.


O cenário de fundo: por que as small caps seguem pressionadas e o que pode mudar?


Indicador
Dado atual
Referência
SMLL em abril de 2026
-3,16%
Ibovespa no mesmo período: +0,64%
SMLL acumulado em 2026
+2,68%
Ibovespa no mesmo período: +16,26%
Selic atual (maio/2026)
14,5%
Primeiro corte em março. Ciclo iniciado
P/L atual das small caps
~9x
33% abaixo da média histórica de 13,4x
SMLL vs. IBOV após 1º corte
+23 p.p.
Média histórica em 12 meses (Santander)


Fator
Situação atual
O que pode mudar
Selic elevada
14,5% ao ano. Crédito caro para empresas menores
Ciclo de cortes iniciado. Selic a 10–12% destrava o segmento
Fluxo estrangeiro
Concentrado em blue chips e exportadoras
Capital local tende a migrar para small caps com queda dos juros
Tensões geopolíticas
Guerra comercial EUA-China pressionou em abril
Absorção gradual dos fatores externos pelos preços já em curso
Valuation
P/L de ~9x, 33% abaixo da média histórica
Desconto pode ser catalisador quando o fluxo voltar
Resultados 1T26
Resilientes em vários casos. Margens preservadas
Bons resultados reacendem interesse nas teses individuais


As carteiras de maio: o que XP, Santander, BTG e Safra estão fazendo?


Casa
Principais movimentos em maio
Destaques mantidos
XP Investimentos
Aumentou POMO4, TTEN3 e BMOB3. Adicionou ALUP11 e BRBI11. Removeu DIRR3 e INBR32
Foco em empresas com crescimento operacional e menor sensibilidade ao ciclo de crédito
Santander Brasil
Saiu de GGPS3, entrou ALUP11. Manteve 9 posições intactas
TTEN3, IGTI11, POMO4, DIRR3, PGMN3, FLRY3, SAPR11, ORVR3, CEAB3
BTG Pactual
Saíram SMFT3, TTEN3 e CBAV3. Entraram SLCE3, IRBR3 e BLAU3
Aposta em agronegócio (SLC) e recuperação setorial (IRB)
Safra
Incluiu BRAV3 e TEND3. Mantém POMO4, IGTI11, CSMG3, PGMN3 e SMFT3
Visão positiva em saneamento (Copasa) e consumo (Smart Fit, C&A)


Consenso entre as casas: As 10 small caps mais recomendadas para maio são PGMN3, CEAB3, SMFT3, TTEN3, AZZA3, CSMG3, IGTI11, ORVR3, POMO4 e SAPR11. PGMN3, POMO4, TTEN3 e IGTI11 aparecem em múltiplas carteiras simultaneamente, o que indica convicção institucional convergente nesses papéis.


As teses por empresa: o que cada casa enxerga nas mais citadas?


Ticker
Empresa
Indicações
Tese central
Casas
PGMN3
Pague Menos
4
Fortalecimento do balanço + setor farmacêutico resiliente
XP, Santander, Safra, BTG
POMO4
Marcopolo
3
Renovação de frotas + exportações + câmbio depreciado favorece
XP (aumentou), Santander, Safra
TTEN3
3tentos
3
Biodiesel + expansão geográfica + 28 tri consecutivos de crescimento
XP (aumentou), Santander, Nord
IGTI11
Iguatemi
3
Portfólio premium + FFO yield 13,7% + aquisições recentes reprecificadas
Santander, Safra, XP
CSMG3
Copasa
3
Privatização em MG + redução de custos + setor defensivo com geração de caixa
Santander, Safra, Guia do Investidor
ORVR3
Orizon
2
Maior empresa de resíduos da América Latina pós-Vital. +10,33% em abril
Santander (top pick), XP


A visão técnica: o que o momento pede para o trader de small caps?


O ambiente técnico das small caps em maio de 2026 é de cautela estratégica, não de rejeição. O SMLL segue abaixo das resistências relevantes e sem catalisador de curto prazo que justifique entrada agressiva. A lógica das casas de análise é construção gradual de posição, aproveitando o desconto antes do gatilho se materializar.


Cenário
Condição
O que observar
Bull case
Selic cai mais rápido que o esperado no 2º semestre
SMLL pode superar o Ibovespa em 23 p.p. nos 12 meses pós-corte (histórico Santander)
Base case
Selic cai 0,25 p.p. por reunião até 2027
Recuperação gradual e seletiva. Empresas com baixa alavancagem lideram
Bear case
Fatores externos adiam queda da Selic
Small caps seguem pressionadas. Empresas alavancadas em maior risco


Leitura técnica para o trader: O momento sugere posicionamento gradual e seletivo, não exposição ampla ao SMLL via ETF. Empresas com menor endividamento, boa geração de caixa e teses independentes do ciclo de juros no curto prazo, como exportadoras e saneamento, oferecem melhor assimetria.  
Evitar papéis com dívida líquida acima de 3x EBITDA.  
Esta análise é informativa e não constitui recomendação de investimento.  


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FAQ: Small Caps, carteiras de maio e estratégia


1) Por que o SMLL caiu em abril mesmo com o Ibovespa subindo?

O SMLL caiu 3.16% em abril enquanto o Ibovespa avançou 0.64%, ampliando o descolamento entre os índices. As tensões geopolíticas globais e a manutenção da Selic em patamar restritivo pesaram mais sobre as small caps, que têm 78% de exposição à economia doméstica. O fluxo estrangeiro seguiu concentrado nas blue chips.


2) Quais small caps aparecem em mais carteiras para maio de 2026?

As mais recomendadas para maio são PGMN3. POMO4. TTEN3. IGTI11 e CSMG3. presentes em múltiplas carteiras simultaneamente. PGMN3 lidera com 4 indicações. A convergência entre diferentes casas de análise em um mesmo papel é um indicador de convicção institucional, não uma garantia de retorno.


3) Vale comprar o ETF SMAL11 para capturar a alta das small caps?

As casas de análise recomendam seleção individual de papéis, não exposição ampla ao índice. O SMLL tem um problema estrutural de composição: remove as empresas que sobem e mantém as que caem. O ETF captura parte da alta, mas não as melhores assimetrias. A seleção por tese individual tende a superar o índice em ciclos de recuperação.


4) O que a 3tentos tem de diferente que a coloca em múltiplas carteiras?

A 3tentos registrou seu 28º trimestre consecutivo de crescimento e nunca teve prejuízo em sua história. A diversificação em insumos, grãos e biodiesel reduz o risco setorial. A meta de receita 2.5x maior até 2032 sustenta a tese de longo prazo. O múltiplo de 9x lucros é considerado descontado para o histórico de crescimento da empresa.


5) Por que a Copasa aparece como defensiva em um momento de juros altos?

Empresas de saneamento têm receita previsível por contrato, independente do ciclo econômico. A Copasa adiciona um catalisador específico: a expectativa de privatização pelo governo de Minas Gerais, que pode destravar eficiência operacional e valorização das ações. O BTG classifica a tese como uma das mais promissoras de 2026. ainda que com componente especulativo.


6) Qual é o gatilho para as small caps decolarem de verdade?

Os gestores convergem em três condições: Selic abaixo de 12%, melhora do cenário fiscal e redução das incertezas geopolíticas. O primeiro gatilho está em curso, mas de forma lenta: com cortes de 0.25 p.p. por reunião, a Selic pode chegar a 12% apenas em meados de 2027. O histórico do Santander mostra que o SMLL superou o Ibovespa em 23 p.p. nos 12 meses após o primeiro corte.


7) Quais small caps devo evitar mesmo com o desconto do segmento?

O consenso entre os gestores é claro: evitar empresas com dívida líquida acima de 3x EBITDA, dependentes de crédito barato para operar e sem geração de caixa consistente. Em um ambiente de Selic ainda elevada, empresas alavancadas seguem em zona de risco mesmo com o ciclo de cortes iniciado. O desconto de valuation não elimina o risco de deterioração financeira.


8) A Orizon, melhor papel das carteiras em abril, ainda tem tese para maio?

A Orizon subiu 10.33% em abril, sendo o destaque da carteira do Santander. O Santander a mantém como top pick para maio, argumentando que o mercado subestima o valor de longo prazo da aquisição da Vital, que criou a maior empresa de gestão de resíduos da América Latina. A alta já realizada em abril reduz a margem de segurança no curto prazo.


Conclusão


O mercado institucional não espera o gatilho das small caps para se posicionar: ele já está se posicionando. XP aumentou POMO4 e TTEN3. Santander manteve 9 das 10 posições intactas. Safra adicionou novos nomes. O desconto histórico de 33% abaixo da média em P/L, combinado com o início do ciclo de cortes da Selic, cria uma assimetria que as casas de análise estão dispostas a montar antes da maioria do mercado. Para o investidor pessoa física, a estratégia que emerge das carteiras de maio não é de exposição ampla ao SMLL, mas de construção gradual em papéis com teses individuais sólidas, baixa alavancagem e capacidade de crescer independente do timing exato da queda dos juros. O próximo catalisador a monitorar é a próxima reunião do Copom, prevista para junho, e o ritmo do ciclo de cortes para o segundo semestre. Este artigo é de caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.


Aviso Legal: Este material destina-se apenas a fins informativos gerais e não deve ser interpretado como (nem considerado como) aconselhamento financeiro, de investimento ou qualquer outro tipo de orientação na qual se deva basear decisões. Nenhuma opinião expressa neste material constitui recomendação da EBC ou do autor de que qualquer investimento, título, transação ou estratégia de investimento específica seja adequada para qualquer pessoa em particular.